Amani Spachinski de Oliveira

1 — Qual a lembrança mais antiga que você tem?
Foi uma viagem de carroça, puxada por cavalos, que fiz com minha família da cidade de Guarapuava, Estado do Paraná, até a localidade em que nasci, no município de Pinhão, distante mais ou menos 70km. É uma das lembranças mais antigas e mais belas que tenho de minha infância. Lembro que o Rio Jordão, por onde a estrada passava, não possuía ponte. A Travessia deveria ser feita por vau. Como havia chovido muito, o rio encheu demais e tivemos que deixar a carroça na barranca de cá. Os cavalos passaram a nado e nós passamos em uma pequena canoa feita de tronco de árvore. Para mim, como criança, foi uma aventura e tanto.

2 — Por que seus pais lhe deram o nome que você tem? E o que você acha dele?
A escolha foi de minha avó materna. Ela disse ter conhecido um jovem com esse nome, e que ele lhe parecia um anjo de bondade. Minha mãe aceitou e, na minha juventude, descobri que a palavra Amani, em um determinado dialeto da Índia, significa "Shalon" — "A paz esteja com Você".

3 — Qual a imagem que mais lhe marcou na vida?
Meu médico apoiado com os cotovelos nas vistas da porta do seu consultório, despedindo-se de mim, desejando-me boa sorte, depois de ter me encaminhado para um hospital especializado em câncer, pois havia constatado que eu estava com um enorme nódulo maligno na bexiga. Foi uma imagem de dor e medo aos 47 anos de idade.

4 — Para que você veio a este mundo?
Para ser feliz como pessoa e cumprir uma missão muito importante para os meus semelhantes. Sinto que tenho cumprido fielmente essa missão e sou imensamente feliz por isso.

5 — Qual a pergunta que nunca lhe foi feita e que você gostaria que alguém lhe fizesse? Responda esta pergunta.
O que significa dor para você?
Agora, aos 51 anos, depois de grandes sofrimentos, aprendi o que é a dor. Hoje quando alguém geme ou queixa-se de alguma dor perto de mim, eu sei do que a pessoa está falando, o que ela está sentindo. A dor é um mistério e somente quem passa por ela é capaz de compreendê-la. Ela pode ser um trampolim para a felicidade, como pode ser um tobogã para a infelicidade. Tudo depende de como encará-la.

Amanispachinski@bol.com.br

Seja o entrevistado