Guaraci Pachú

1 — Qual a lembrança mais antiga que você tem?
A mais antiga remonta minha tenra infância onde eu podia tomar minha mamadeira de mingau de maizena e andar com meu travesseiro quadriculado pelo quintal de minha casa. (risos)

2 — Por que seus pais lhe deram o nome que você tem? E o que você acha dele?
Nossa, isso foi complicado, meu pai já havia feito vários testes, teve muitos filhos antes de mim, foi casado várias vezes, lamento por meus irmãos, (risos) ele tinha a prentenção que meu nome fosse a expressão de luz, minha mãe concordava com ele, haviam decidido me chamar de Soluzimar, mas como Deus é pai e não padrasto, (risos) bons ventos sopraram e iluminaram a mente fértil de minha mãe, ela achou que Luiz seria uma boa escolha, mas meu pai que nunca perdia uma batalha disse que Guaraci era o sinônimo de tudo de bom, e não é que o velho tinha razão! (risos)

3 — Qual a imagem que mais lhe marcou na vida?
O sepultamento de minha tia-avó, a pessoa mais digna que conheci, um dos maiores exemplos da existência de Deus. No dia em que ela foi sepultada havia também outros dois corpos sendo velados, um deles era de um japonês provavelmente muito rico, cercado de pessoas bem vestidas, muita pompa; havia outro, possivelmente um bandido, já estava verde de tanto tempo que aguardava para ser sepultado, seu corpo jazia no caixão barato, moscas sobrevoavam, ao seu lado um senhor tentava ornamentar seu corpo sem aparentar nenhuma emoção pela perda, era uma visão triste. Todavia, eu vi que, qualquer que seja a prioridade que norteie a vida do ser humano, nenhuma delas o livrará da morte.

4 — Para que você veio a este mundo?
Para me diluir em palavras...

5 — Qual a pergunta que nunca lhe foi feita e que você gostaria que alguém lhe fizesse? Responda esta pergunta.
O que você acha que sua geração acrescentará ao mundo?
Eu vejo a minha geração como um divisor de águas entre o passado e o futuro, aquela que nasceu ouvindo a teoria da relatividade, big bang, globalização, sexo, drogas, perversão, ditadura, bomba atômica, alguns de nós fomos feitos em circunstâncias improváveis, tipo laboratório, mas seremos nós que daremos o equilíbrio certo aos excessos praticados por nossos pais e ditaremos um futuro mais justo, principalmente os de minha geração no Brasil: o Maracanã já não esta tão cheio, carnaval no Rio é coisa de turista, penso que esta geração está latente, pensando, buscando caminhos que permitam consertar erros, desbancar as mentiras dessa gente doente que administra o nosso país há mais de 500 anos.

noitescomsol2001@hotmail.com

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