Reencontros
29.janeiro.2005

Ele abriu a porta e entrou. Encontrou-a ainda na cama. Trocava de roupa. Por uns momentos permaneceu ali em silêncio. Ela se virou e o recebeu com um longo abraço. Uma lágrima teimosa correu pelo seu rosto mas ele não deixou que ela percebesse.

Conversaram. Pôde ver como ela estava linda, os cabelos claros desgrenhados, os olhos felizes... Pensou em quanto tempo havia que tinham se visto pela última vez. Ela era ainda uma menina no fim da adolescência. Agora, finalmente era a mulher que nunca acreditara ser. Percebeu as mudanças no seu corpo e imaginando tudo isso - o passado, o que teria acontecido durante o tempo em que não se viram, o presente - se perdeu nas palavras que ela dizia. Está me ouvindo? ela perguntou. E ele sorriu lembrando da necessidade de atenção de sua amiga.

Ela perguntou sobre a viagem, o que tinha feito, o que tinha visto. Contou pouco sobre sua própria vida. Contou apenas o que ele podia ver. Não falou sobre os caminhos. Ele foi falando sobre o que tinha visto e pensando que, na verdade, nada daquilo importava. Que deveriam estar conversando sobre outras coisas. Falava devagar hesitando entre as palavras. Ia entristecendo. Porto Alegre não era tão bonita sem a sua companhia. Ela, olhos vidrados nele, querendo saber da cidade que sempre quis conhecer.

Sugeriu um lanche, ele chegava de viagem, devia estar cansado e com fome. Quando voltou ao quarto, ele já descia no elevador. E já não segurava as lágrimas.

Clara Vasconcellos
http://palavrasoventoleva.blogspot.com/
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