O Encontro
17.setembro.2005
Andava distraída pelas ruas do centro da cidade. O calor parecia aglutinar as pessoas. No meio da praça, vendedores ambulantes apregoavam objetos sem valor. Seria tudo triste se não fosse o calor que dissolve as nostalgias.
Atravessavam a praça hesitando, tentando avançar em meio à multidão. Pararam os dois no meio da praça, aqueles rostos conhecidos que há muito não se viam. Estavam já muito diferentes, mas não mudaram o suficiente para que não se reconhecessem.
Ali, parados, entreolharam-se. Estacaram no meio da multidão que atravessava a praça andando em sentidos opostos. Sentiram o barulho distante, o sol que queimava sem perdão os rostos dos transeuntes àquela hora da tarde, os empurrões daquela massa que não podia esperar.
Por alguns segundos entreolharam-se. Reconheceram-se. Compreenderam as mudanças que o tempo empreendeu. Talvez tenham intencionado dizer algo, mas logo compreenderam que seria inútil.
Um observador mais atento pode ter percebido um possível cumprimento, a cabeça se inclinando levemente num gesto de reconhecimento. Depois, seguiram, calados, seus caminhos. Cada um, a sua direção.
Clara
Vasconcelloso