QUATRO ARTIGOS DE VITRINE LABIRÍNTICA
experimento alfabético de arteciência

por Eduardo Loureiro Jr.
eduardo@patio.com.br

[O presente texto é resultado de uma leitura do seguinte livro: PARENTE, André (org.). Imagem-máquina: A era das tecnologias do virtual. Tradução de Rogério Luz e outros. São Paulo: Ed. 34, 1993. 304 p. (Coleção TRANS)]

Coletâneas de artigos são como vitrines cheias de mercadorias. No caso de "Imagem-máquina", o livro foi dividido em quatro módulos (Novas imagens, novos modelos; O virtual e a quarta dimensão da imagem; Mídia/pós-mídia; A arte e as tecnologias do virtual) e parece mais uma loja de departamentos inteira do que uma simples vitrine.

Como nunca fui muito consumista mesmo e meus pais me ensinaram que "com os olhos a gente leva tudo, mas bolso a gente só tem dois, no máximo quatro, certo?" então resolvi não ler artigos em excesso, que só me fariam vomitar depois, além de estourar o limite do cartão de crédito na ciência e na arte.

Escolhi um artigo de cada módulo, como quem escolhe um artigo de cada departamento de uma loja, ou como quem, num labirinto, escolhe uma sala ao invés de várias outras, e vai seguindo adiante, sem dar conta de tudo, mas aproveitando cada coisa.

"Este ensaio [de banda de rock em crise?] se propõe a fazer alguns comentários desarticulados sobre este assunto" (Mandelbrot, in Parente, 1993: 196). O mesmo digo eu. Se o inventor dos fractais pode, "por que não eu, a ha, por que não eu?" (Kid Abelha)

A seleção

"Quando precisa cortar alguma coisa, a maior parte dos animais o faz com a parte direita do corpo, enquanto segura as coisas geralmente com a parte esquerda. Mesmo a visão de cada um de nossos olhos é dividida em dois campos visuais; um à esquerda e o outro à direita, um retendo e o outro recortando. Quando nós lemos, guardamos a visão da página escrita no campo visual esquerdo e analisamos o que vemos com os feixes da direita. À medida que nossa cultura se fazia mais dependente da leitura, ela reforçou o uso da parte que recorta. [...] A lógica ocidental é sinônimo de busca de uma boa divisão" (Kerckhove, in Parente, 1993: 56).

Escolhi os quatro artigos pela Introdução de André Parente. Assim como um arquiteto sabe quais são os caminhos e os descaminhos de seu labirinto, André também fez a sua própria seleção, mesmo escondendo-a entre frases elogiosas a todos os artigos. A fama de autores como Arlindo Machado, Paul Virilio, Jean Baudrillard, Félix Guattari e Jean-François Lyotard não foi suficiente para que fossem escolhidos por mim, por meu gosto, por minha intuição, pelo meu folhear ligeiro de seus textos.

Se fosse o caso só desse livro, poderia me dar ao lixo de lê-lo inteiro e, no final, dizer: "Gostei disso, daquilo não gostei. Se eu tivesse lido apenas esses quatro artigos aqui, teria poupado meu tempo". O leitor compreenderia, afinal eu havia lido tudo e a minha escolha dos quatro seria realmente a melhor, uma seleção natural. Mas como se dar à folga de escolher quatro antecipadamente, sem esforço, sem queimar pestana, sem ler e reler, sem tentar penetrar no pensamento, mesmo obtuso, desse autor ou daquele? "Assim é fácil, Eduardo", diria o leitor, "mas pudim é só domingo. Tome vergonha e trabalhe direito".

Para mim, a única coisa que ganharia lendo o livro todo era a certeza de encontrar com o Minotauro e de ser devorado por ele. "Mas não é justamente pra isso que se entra no labirinto?!", pergunta o leitor espremendo meu pescoço na ratoeira. É mesmo, está certo o leitor, mas nesse caso o Minotauro também está em busca de mim e eu não preciso percorrer o labirinto para encontrá-lo, poderia até ficar parado perto da entrada, da apresentação, e esperar pelo monstro. Mas ainda percorri quatro salas, li quatro artigos, acho que já está bom demais e pronto.

Mas não é o caso só deste livro. Há outros e tantos nesta biblioteca labiríntica terrestre. O tempo que economizo com os 19 artigos não lidos serão muito bem empregados em outras coisas. E não só livros, há também jornais e revistas e filmes e outras obras de arte. Dou-me ao direito da seleção artificial.

"As palavras, imitando e por isso mesmo substituindo a experiência sensorial real, na realidade nos privaram desta" (Kerckhove, in Parente, 1993: 57). Minha seleção faz parte de uma experiência de leitura. Já me permito riscar os livros, inutilizá-los mesmo para um futuro leitor, passar-lhes adiante como um estranho que deflora a virgem e depois a entrega a seu noivo de direito. Selecionar pedaços de um livro ao acaso é desfazer a ilusão de imitação da realidade, é fazê-lo novamente objeto do mundo ao invés de criador de um mundo ao qual eu devo me submeter. O que eu não leio, eu invento, tomo de sorvete, jogo de pingue-pongue, escrevo de artigos outros, mercadorias, suvenires. "O itinerário longo e complexo do espírito humano que o levou da consciência tribal até o reino privado do eu através dos livros, para sobressair em seguida no reino social sem perder as referências a suas fontes individuais" (Kerckhove, in Parente, 1993: 60).

"Nossa reação frente aos estímulos consiste em generalizar a partir de provas insuficientes. Nós o fazemos criando analogias. [...] As experiências e as percepções sensoriais são elas próprias o material que permite integrar fontes heterogêneas. [...] quando, utilizadas em um contexto diferente daquele em que nós as descobrimos, elas oferecem um novo modelo de compreensão, e, portanto, uma analogia" (Kerckhove, in Parente, 1993: 61). "Estamos a ponto de ultrapassar o nível de controle da automação em direção ao da 'autonomação', isto é, da faculdade autônoma de seção entre vastos conjuntos de variáveis representando fontes ainda mais heterogêneas" (Kerckhove, in Parente, 1993: 62).

As citações reunidas acima só são citações porque estão entre aspas, colchetes, referenciadas. Retirados os sinais de cópia autorizada, o leitor pensaria que o parágrafo faz parte de meu próprio texto. E, em verdade, faz. Coloquei a citação para falar sobre ela própria, ao invés do assunto sobre o qual ela estava falando. Anulei a estratégia presente na maioria dos discursos que é tomar seu ponto de vista como absoluto. Toda leitura deve levar em conta o ato de leitura. Não posso observar um movimento sem ter consciência de meu próprio movimento. "Ver é se ver vendo" (Weissberg, in Parente, 1993: 125)

"Em nossos dias, a busca de interações mais complexas é uma tendência tecnológica irresistível" (Kerckhove, in Parente, 1993: 62). Mais irresistível ainda é buscar interações complexas não apenas no domínio tecnológico, ou retomar o caráter tecnológico de coisas que se tornaram naturais como o livro. Fazer experiências com livros como quem coloca partículas num reator de alta temperatura e velocidade, ou como quem está perdido em um labirinto.

"Os homens de negócio conhecem a utilidade dos negócios. Os artistas, por sua vez, exploram o impacto humano" (Kerckhove, in Parente, 1993: 64). Seriam os cientistas negocionautas? Seriam os pesquisadores homens de negócios? Seriam os artistas voyeurs do impacto humano alheio? Exploro o impacto humano dos livros sobre mim mesmo enquanto os seleciono e produzo refugos, destroços, que talvez interessem a homens de negócios, cientistas, artistas...

O espaço-tempo

"É difícil propor uma cartografia confiável desses espaços. Arriscamo-nos a ser rapidamente desmentidos por quaisquer novas direções de pesquisa" (Weissberg, in Parente, 1993: 118). Chegou ao ponto dos vietcongues irem bater nas margens do rio Amazonas e do Bussunda explicar que com a globalização as distâncias estavam diminuindo.

De mim nu indo. Comunicação à distância. Grito, fumaça, carta, teletransporte. Se estou aqui e lá, onde estou? Posso chamar indistintamente de eu aquele que lá está e este que está aqui. E o menino que joga bila na rua, será que deixou parte de sua identidade na sala de aula da 7a série? É possível transportarmo-nos à distância dentro de nossos próprios espaços, de nosso latifúndio com seus currais bem cercados?

E aquele bilhete que encontramos, de anos atrás, e que estranhamos, ainda podemos chamá-lo de nosso, mesmo que sejamos incapazes de escrevê-lo novamente? Como estarão id, ego e superego depois da globalização? Têm seu rádio, sua televisão, sua internet?

"Múltiplas experiências, pesquisas, aplicações tendem a constituir uma outra cenografia em que os atores (real/virtual, objeto/imagem/conhecimento humano/programa "inteligente") ocupam posições inéditas" (Weissberg, in Parente, 1993: 119). O mundo inteiro se transformou num imenso teatro. Está sobrando ator e faltando platéia, ou sobrando platéia e faltando ator? Tudo que comemos, evacuamos. Tudo que inspiramos, expiramos. Tudo que agimos, assistimos.

O tempo todo está ao nosso redor, como o espaço? O espaço todo é apenas memória e projeção, como o tempo? Experimentos de arte e obras científicas têm seus próprios tempos e espaços, e só podem ser reconhecidos em tais tempos e espaços? Ou só podem ser mesmo obras de arte e experimentos científicos? A "capacidade que tem o ser humano de pôr em prática uma idéia, valendo-se da faculdade de dominar a matéria" (Aurélio) é ciência ou arte? A "capacidade natural ou adquirida de pôr em prática os meios necessários para obter um resultado" (Aurélio) é arte ou ciência? Cada macaco no seu galho ou dá pra quebrar o galho? "Trabalhos nos quais a ciência seria quase como uma desculpa para uma criatividade artística" (Mandelbrot, in Parente, 1993: 195). Seria possível?

"Os caminhos do virtual não são mais vias régias, são circuitos que ligam nós. [...] Não se trata de um ponto de chegada, mas de um caminho" (Weissberg, in Parente, 1993: 120). As coisas se definem pelo produto ou pelo processo? Os fins justificam os meios? Ou os meios alinham à direita, à esquerda, centralizam os fins? O fim de um caminho, que é meio de outro caminho maior, é processo ou produto? O cientista que pinta nas horas vagas, e que incorporou sua ciência à sua arte, não terá sido artista o tempo todo? O artista que está em dia com o estado e o município de sua arte, e que pinta no topo de uma pirâmide de outros pintores, não terá sido cientista o tempo todo? Se os cientistas têm que conhecer o estado da arte, por que os artistas não deveriam também conhecer o estado da ciência? E se devem, por que deveriam? Não podem declarar uma moratória do conhecimento externo? O estado da arte é vizinho do estado da ciência? Mesma região, mesmo país, mesmo continente, mesmo planeta?

"Visão: tomada do espaço em unidade de tempo. Memória: tomada de tempo em unidade de lugar. Distinção esquemática, sem dúvida, mas que atualiza uma mesma questão: como aprender pelo olhar as variações do espaço? (É possível estar aqui e lá aonde a vista me leva?) Como reencontrar aqui mesmo o passado? (Que permanência afeta aquele que se recorda?) Como separar o sujeito e o objeto da memória?" (Weissberg, in Parente, 1993: 124).

Como definir o objeto da pesquisa? Como ter certeza de que o labirinto não sou eu e que as paredes é que me percorrem sem achar minha saída? Como ler o livro sem a secreta suspeita de que o autor me olha através de suas páginas, e que sua numeração são os minúsculos olhos do gigante irmão? Como saber se, ao começar um livro, não estou na verdade concluindo a leitura numa tentativa bem-sucedida de esquecê-lo? Minhas anotações são mesmo de um leitor ou são rascunhos para escrever no futuro o próprio livro que eu julguei acabar de ter lido e ser de outra pessoa quando na verdade era meu?

"O corpo do experimentador é o seu centro de gravidade. É por ele e através dele que tudo acontece" (Weissberg, in Parente, 1993: 125). Se meus olhos estivessem na minha traquéia, eu não veria meus limites, apesar de vez ou outra entrar uma luz vinda da abertura de um bocejo de uma boca que eu jamais viria a conhecer pessoalmente. Até onde eu seria eu? Até que limite de meu olhar? E se nossos olhos, em suas órbitas, estiverem na verdade dentro e não na superfície do nosso corpo? E se o que vejo como mundo exterior é na verdade a superfície interna de meu corpo? Prédios, ruas, árvores... rugosidades de minhas próprias cavidades?

As relações

"Tudo aquilo que é ético, político, poético, interativo, não imediatamente discursivo, na relação mídia/público (como já ocorre na relação sujeito/linguagem) é eliminado" (Negri, in Parente, 1993: 173). Isso porque não existe relação em si. Não há relação entre o casamento e o noivo, há relação entre o noivo e a noiva. Mídia é meio, assim como a linguagem. A eliminação da ética se dá pela elevação do meio à posição de ponta esquerda avançado com liberdade para driblar e chutar a gol mesmo sem ângulo.

Todos os meios ficam embolando o meio de campo como meninos que estão aprendendo a jogar futebol: 22 em cima da mesma bola num espaço de 4m2. Ética é absolutizar os sujeitos e relativizar os meios, seja dinheiro, seja desenvolvimento, seja progresso, seja democracia, seja verdade, seja beleza. As linguagens não falam para e pela boca de quem não tem o que comer, de quem não tem quem beijar.

"A finitude de nosso desejo. Uma finitude que tem como único obstáculo a infinidade da tarefa" (Negri, in Parente, 1993: 175). Prolongamos os meios (de comunicação? de massa?) e boicotamos os fins. Discutimos demais a relação ao invés de pegar pra capar ou pra trepar. Sexo verbal faz nosso estilo. Trepar em goiabeiras e comer a fruta no pé, não. Preferimos os frutos da cabeça. Mesmo no país do futebol, do ludopédio, dos pés que brincam, optamos pela seriedade de nossas caspas: o branco no preto da roupa do luto por quem na verdade acabou de nascer.

"Marx mostrara como a acumulação capitalística, ao transformar progressivamente o ser humano, ou seja, o trabalhador, desenvolve ao máximo sua produtividade, fazendo dele uma força produtiva capaz de se autovalorizar e portanto de ser uma força revolucionária. Pela acumulação de comunicação, a consciência do ser humano se transforma e ele se torna capaz de um reconhecimento coletivo dessa ampliação das possibilidades de saber e das capacidades de transformação, únicas que lhe podem assegurar mais liberdade" (Negri, in Parente, 1993: 174).

A acumulação de comunicação externa não vai resolver o problema se não for acompanhada por um acúmulo da comunicação interna. Assim como o conhecimento acumulado da humanidade está se tornando cada vez mais acessível, o conhecimento pessoal também deve ser acessível pela própria pessoa. Cada um deve saber o porquê de seu próprio nome, deve ter acesso a todos os quadros que pintou (principalmente no jardim da infância), a todos os bilhetes e poemas que escreveu para as namoradas; não deve conhecer apenas a história antiga, média, moderna e contemporânea, deve conhecer também o que lhe fez passar da infância à adolescência, da adolescência à juventude, e assim por diante; todos os seus sonhos devem ser guardados, mesmo os sonhados de olhos abertos; deve entender cada opção, cada gesto, cada sentimento... Tudo, tudo, tudo à distância de um único pensamento, como um clique de mouse, ou como um piscar de olhos.

"Trata-se de imaginar e construir um sistema coletivo de comunicação do qual estejam excluídos o privado e o estatal. Trata-se de construir um sistema de comunicação pública baseado na interrelação ativa e cooperante dos indivíduos" (Negri, in Parente, 1993: 174). Mas só se for um sistema em que o conhecimento pessoal seja imediatamente incorporado ao conhecimento público e que o conhecimento público não seja válido em si (uma abstração, um meio), mas somente através de sua passagem e filtragem pelo conhecimento pessoal. Um sistema em que o plágio seria impossível, a citação inútil e a argumentação frívola. Um labirinto em que Teseu e o Minotauro saberiam exatamente onde estavam um e outro, a perseguição perfeita, a fuga perfeita, ou até mesmo o encontro perfeito, se o quisessem. A onisciência roubada de Deus e acessível a qualquer um, qualquer qualquer, sem distinção de piercing, meleca ou arroto.

O mistério

"Pode uma forma que é definida por uma simples equação ou uma simples regra de construção ser percebida pelas pessoas outras que não geômetras como tendo valor estético, isto é, como sendo surpreendentemente decorativa pelo menos, ou talvez ainda uma obra de arte?" (Mandelbrot, in Parente, 1993: 195). Tom Cruise recuperando um disquete roubado em Missão Impossível simplesmente convencendo o ladrão de que o disquete que ele tinha em suas mãos era falso. A árvore que não cabe em si(mente), mas que sempre esteve lá. A criança que sai pelo mesmo buraco que um dia teve de sangrar de tão apertado. Atirando no que vemos e ressuscitando o que não vemos. Matando dois coelhos com uma cartolada só.

"Na geometria fractal o esforço é, habitualmente, tão extraordinariamente simples a ponto de parecer bobo. O resultado, ao contrário, pode ser maravilhoso" (Mandelbrot, in Parente, 1993: 196). Como se Deus ajudasse a quem se espreguiçasse. Como o sorriso mais que lindo que a criança dá em troca de uma palhaçada mais que convencional. "Que confusão é essa aí, hein?!" (Julia Havt). Que lindos vitrais feitos de pequenas pedras e grampos e canudos dentro de um caleidoscópio, são esses aqui, hein?! Que toque tão certeiro que arrepiou todos os pêlos foi esse aí, hein?! Que ditado é aquele ali que valeu por um tratado, hein?! "Cem máximas que resumissem a sabedoria universal tornariam dispensáveis os livros" (Carlos Drummond de Andrade).

"Os fractais são formas geométricas que são igualmente complexas nos seus detalhes e na sua forma geral. Isto é, se um pedaço de fractal for devidamente aumentado para tornar-se do mesmo tamanho do todo, deveria parecer-se com o todo, ainda que tivesse que sofrer algumas pequenas deformações" (Mandelbrot, in Parente, 1993: 197). Se já se conheceu alguma coisa, não é preciso conhecer mais nada. O conhecimento não é uma descoberta, é um exercício de improvisação em cima da mesma escala, uma jam session.

"Deveríamos evitar corrigir um detalhe de uma imagem fractal com um comando local" (Mandelbrot, in Parente, 1993: 199). Assim como na música, não se resolve um erro de execução de um trecho tocando-o novamente. Será outra música. Que seja. Se for a mesma música, terá que ser tocada de novo, inteira. Toda revisão de conhecimento coloca em questão todo o conhecimento, assim como qualquer introdução, apresentação, prefácio, posfácio, defesa, argumentação tudo altera: o quebra-cabeças de deslizar peças sem ninguém que o resolva senão as próprias peças; o labirinto de paredes movediças, em que Teseu é pedreiro e o Minotauro, demolidor, em que Dédalo é o fio que Ariadne enrolou, e em que Ariadne são as asas com que Ícaro se libertou.

Fevereiro de 2001