Labirinto

Reunião dos núcleos ¾ Movimentos Sociais e Currículo

Alpendre, 30/08/2000

 

FITA 1 - LADO A

 

Eduardo ¾ Antes de mais nada, muito obrigado pela presença de todos. O objetivo disso aqui são dois, basicamente. Na verdade isso foi inspirado em duas coisas: a primeira delas foi uma atividade que a Isabel e a Marcília fizeram... A Isabel tá aqui, eu acho. Isabel?

 

Isabel ¾ Eu...

 

Eduardo ¾ Oi, Isabel! ... Que foi uma discussão a partir de alguns aspectos do projeto de pesquisa delas, pra unir algumas pessoas pra conversar sobre isso. Então, eu, particularmente, que estava presente achei interessante, resolvi fazer uma vezinha nossa, pra que outras pessoas também resolvam ir fazendo isso. Foi muito bom o que elas fizeram. E, outra inspiração pra isso, foi uma aula do Andre Haguette que, nesse semestre passado, e de repente acho que nós quatro, eu, Andréa, Fabiano e Paulo fazíamos a disciplina, mas nesse dia não sei se estávamos todos, acho que não, e o Andre meio que começou a fazer uma viagem lá do labirinto pra pensar o significado do labirinto no que se referia à filosofia e à educação. Então a gente ficou assim meio de queixo caído, né? como é que, como é que ele conseguiu desenvolver aquele raciocínio a partir do labirinto. Ele terminou de falar aí ele olhou pra gente e disse assim: “é isso?” né? Aí eu disse assim: “olha, nessa sala eu nunca entrei.” Então a idéia é meio essa, acho que a gente, a gente não tá estudando um labirinto, esse não é o nosso objetivo, a gente tá dentro de um labirinto. Nós não temos conhecimento de tudo que está acontecendo dentro desse labirinto. Então o objetivo disso é na verdade a gente trocar experiências, visões, do que pode ser um labirinto nos seus aspectos positivos, negativos, sei lá o que mais. Então a idéia seria menos a gente falar, acho que a nossa apresentação é meio que um pouco a montagem da coisa toda e deixar um espaço pra vocês. Isso aqui, tem uma frase do Capinam que diz que “a saída é a porta principal”, quer dizer, você sai por onde você entra. Então, na verdade esse é o primeiro momento real do nosso projeto do doutorado e o último momento, que vai ser a saída, vai ser no dia da apresentação da tese. Espero que todos vocês estejam lá de novo. O espaço será bem maior, poderemos nos perder no espaço com mais facilidade. E... mas isso. Queria na verdade ouvir, a gente hoje... são várias experiências já com o que vai acontecer, quer dizer, aquele livrinho lá, colorido, que botamo lá em cima, meu e do Fabiano já é uma experiência pra tese, uma possibilidade de fazer tese não linear; todos os jogos, brincadeiras, caleidoscópios já é um pouquinho de nada da instalação, pra gente ter uma idéia do que seja. Isso aqui também é uma ideiazinha do que podem ser as oficinas que a gente pretende fazer e é isso, começar a fazer as coisas pequenas pra elas irem crescendo em diâmetro, certo, e não que a gente vá construindo o prédio, não. Tudo a gente vai fazendo inteiro, não é? só que é pequeno, pra que daqui a quatro anos esteja mais largo e pra que não sejamos apenas nós quatro, né? A idéia de ser um projeto coletivo não é só porque somos nós quatro, é porque a gente espera que vá além de nós, quer dizer, as coisas que a gente tá pensando possam ser desenvolvidas por mais pessoas do que a gente. Não é um projeto coletivo de quatro que estão se fechando em quatro, não. É a idéia de que, a partir de nós quatro que estamos começando, a coisa se... vá adiante. Certo? Então, falei demais já. Deixo a palavra com vocês e a idéia é que não haja ma direção clara. Cada um vai falando e a gente vai vendo por onde vai, certo? Quem quer segurar esse fio de Ariadne, essa espécie de fio de Ariadne.

 

VNI ¾ Dá mais linha aí!

 

Eduardo ¾ Não, tem linha pra todos os lados.

 

Joaquim ¾ Tem que saber onde está o Minotauro pra gente ir no sentido oposto.

 

Eduardo ¾ Como é?

 

Joaquim ¾ onde está o Minotauro pra gente ir em sentido oposto.

 

Várias vozes: indecifrável

 

Eduardo ¾  um palpite de onde está o Minotauro, onde está o Minotauro...

 

Paulo ¾  ... um dos quatro. Cada um dos quatro tá num ponto estratégico. Perto da janela, perto da entrada... se quiser sair...

 

VNI ¾ Eu tenho uma sugestão (?)

 

Fabiano ¾ Se o problema é o fio de Ariadne pode também ser sem fio.

 

Luis Botelho ¾ Só pra romper essa (?) Entrar no labirinto é sempre uma experiência inicialmente aterrorizante. Você sabe que sete vão e outras sete vão e ninguém sai. Isso é uma experiência que não tem nada a ver com a nossa experiência (?) e que outros sigam nessa... é preciso...mas enfim, um terror (?) que se instala inicialmente, mas parece que fica só nesse primeiro momento, dessa dificuldade de, da expressão, e tem outras coisas que são encantadoras (?) que foi o que me seduziu inicialmente, é isso, a possibilidade da gente romper com uma tradição muito cara a acadêmia que é essa coisa do, da produção individualizada do conhecimento e se tentar explicitamente se trabalhar essa coisa do coletivo. Mas eu não queria deixar de ressaltar também o aspecto interessante de algumas referências. Essas referências míticas são muito trabalhadas também pelos americanos. A gente algumas coisas maias, incas que são tipicamente labirínticas, são situações de celas e de mapas celestes e de escritos que vem com essa situação muito interessante, algumas pirâmides também levam a essa confusão espacial. É... que é resolvida por um tipo de iluminação, a saída é um tipo de iluminação, é um tipo de epifania, um tipo de salvação. Um outro aspecto interessante é essas referências numerosas a Borges, um cara interessante de ser visto numa outra dimensão. Borges termina a vida cego, vendo melhor do que quando ele tinha os olhos. É uma pessoa que faz um desses paradoxos de ver melhor quando cê estar cego. E aí retomando também alguns personagens clássicos que, alguns profetas dessa antigüidade, do tempo do labirinto, que só conseguiam ver melhor quando arrancavam os próprios olhos. Isso dá um recado pra gente interessante do ponto de vista de que que a gente vê na academia, que tipo de olhos a gente poderia arrancar pra ver melhor. Essa talvez seja a minha contribuição aterrorizante.

 

Carol ¾ Falando em medo, eu participei de uma experiência com o Eduardo, um encontro que a gente foi participar de aula de teatro, uma espécie de aula de teatro, e o Eduardo apresentou pra gente uma música que, assim, foi muito importante o momento em que a gente viveu em torno dessa música, nesse encontro. E a gente fez uma caminhada, uma coisa muito deliciosa, mesmo, que fala dessa coisa de quebrar o medo, de romper o medo, que é muito interessante. Não sei se você lembra dessa música?

 

Eduardo ¾ A música é do Fabiano. Ele podia cantar.

 

Carol ¾ É linda ela.

 

Risos

 

Eduardo ¾ Cante aí pra gente...

 

Alguém fala ao mesmo tempo que a Carol começa a cantar mas não dá pra ouvir

Carol ¾ quando você passou e feito pluma jogou um beijo em mim me deixando assim feito criança quando ganha brinquedo a pluma bateu no meu vidro quase quebrando meu medo a pluma bateu no meu vidro quase quebrando meu medo

Eu acho que essa música tem a ver, porque assim... tem a ver com isso...

 

Chico ¾ Aquele desenho que vocês fizeram foi baseado em que?

 

Eduardo ¾ Qual desenho?

 

(?)

 

Eduardo ¾  (?) aquilo é um desenho, a fotografia de uma catedral, do chão de uma catedral. Era muito comum na idade você média fazer o desenho do labirinto no chão das catedrais. Que meio que as pessoas faziam exercício de peregrinação naqueles labirintos. Ainda hoje tem... todo esse movimento de nova era, tem várias experiências de construção e de andar pelo labirinto meditando. Ou então mesmo só você vendo um labirinto e meditando. O pessoal diz que a cada volta que você dá, se aprofunda no labirinto, você mentaliza um nível diferente. Até que você chega ao centro quando atinge alguma espécie de iluminação. Então, ao invés de um labirinto real, né?, onde você realmente está perdido, a igreja começou a contrapor um labirinto que é pra você se achar na verdade, você encontrar, aí as palavras vão me trair, mas uma (posição?) sua mais elevada. Então tem (?) de catedral.

 

Chico ¾ Mas o que que tem a ver com o trabalho de vocês?

 

Paulo ¾ Eduardo é porque na verdade aquela figura é o Teseu matando o Minotauro, né?

 

Eduardo ¾ Isso.

 

Paulo ¾ Talvez seja isso que você esteja querendo saber.

 

Chico ¾ O que que tem a ver com o trabalho de vocês porque vocês usam muito ela. Parece que (?)

 

Sandro ¾ Você fala do cartaz?

 

Chico ¾ Sim (?)

 

Sandro ¾ Aquilo é uma imagem do Teseu matando o Minotauro. O rei Minos, né?

 

Chico ¾ É como se vocês já tivessem uma visão de labirinto, né? construída, né? Aceita também pelo público, e, pra (?). O que que tem a ver com o projeto de vocês?

 

Eduardo ¾ A idéia seria... nós não temos uma idéia clara do que seja o labirinto. Existem muitos tipos de labirinto. Labirinto que tem só um caminho, labirinto que tem encruzilhada, tem labirinto que você tem uma entrada e tem uma outra saída, tem labirinto que a entrada é a própria saída. Quer dizer, tem vários tipos de labirinto. E cada um, ou cada tradição, vai concebendo um significado disso. Então, de repente... essa é até uma coisa interessante porque, nesse começo de trabalho, falando com várias pessoas, a gente viu que cada um tem uma idéia do que seja labirinto. Quer dizer, isso também é um momento pra isso. Quer dizer, a nossa, vamos supor que, pra você ficou que é aquela figura, né? Tô curioso pra saber qual é a sua, né? Na sua cabeça qual seria uma imagem, uma alternativa de labirinto praquela.

 

Chico ¾ Mas se vocês utilizaram é porque tem algum significado pra vocês.

 

Eduardo ¾ É, na verdade ela tem o significado... acho que foi a primeira imagem que a gente pegou, basicamente.

 

Andréa ¾ E tem a história de inspiração também, né? Porque a gente começou, algumas pessoas já conhecem, a Eliane já ouviu muito essa história, mas tem coisa que a gente tem que repetir porque tem gente que não conhece...

 

Eliane ¾ Mas cada vez que eu escuto, eu escuto de um jeito diferente. Então, de qualquer maneira, eu já entrei no labirinto.

 

Chico ¾ Ela já participou da entrevista com vocês, aí...

 

Andréa ¾ A gente também já apresentou pras duas turmas que eram novas, a turma que entrou com o Eduardo e o Fabiano, depois a que entrou comigo e o Paulo. Então, a inspiração, assim, primeira da gente foi a brincadeira, da gente brincando com a internet, não é? E a gente percebeu que ali tinha uma possibilidade muito... aí foram juntando coisas, né? É... juntou a vontade da gente de ter um espaço mais interativo na internet, aí a partir disso a gente criou um labirinto que seria um site na internet, daí veio a leitura do Pierre Lévy e algumas outras coisas e a gente teve a idéia de que isso poderia virar um projeto. E, como a gente conversava muito sobre essas coisas, né? sobre educação e essa coisa do conhecimento, o Eduardo, Paulo, Fabiano e mais algumas outras pessoas, aí, a idéia original é do Eduardo, a gente montou o projeto. E quando... a primeira imagem pra gente juntar foi exatamente... por conta também da coisa do mito, né? a coisa do mito, ele ser sempre significado e ele, ao longo do tempo ele ir mudando o significado, é... a história de ter sido a primeira imagem que veio, né? a história da Tia Nastácia ganhando o Minotauro com os bolinhos. Então tem isso, a coisa do que veio primeiro e a coisa do mito que é muito importante no projeto. De que as coisas vão sendo... a medida que você vai vivendo, vivenciando, elas vão ganhando significado diferente, né? e o mito permite muito isso.

 

Eduardo ¾ E aí tem a questão de que a educação, ela vai se constituindo no momento do planejamento, na questão da organização. Quer dizer, você tem que planejar o que cê vai fazer (?). Uma educação que lá na... há dois mil anos, três mil anos atrás tendia a ser uma coisa mais natural, no seio da comunidade, você era educado (?) onde você vivia, foi se transformando numa educação mais planejada e organizada. Quer dizer, é meio que o caminho da educação. Quer dizer (?). E o labirinto, ele tem uma palavra que meio que pode ir na contramão disso, que é a idéia do se perder. É possível você aprender, é possível você se educar, se perdendo, ao invés de sempre encontrando o que você quer? Quer dizer, você aprende encontrando o que você quer, na hora que você quer ou você aprende também... de que maneira diferente você aprende se perdendo, procurando uma coisa e não encontrando aquela, encontrando outra? Ou estando perdido, encontrando uma coisa que cê num tava nem procurando? Então tem essa história do... na verdade o labirinto é meio que... não é uma coisa só, é meio que uma tensão entre duas coisas. Até tem um autor que ele faz uma evolução dessas tensões pela história da humanidade. Então, na antigüidade, era a tensão do uno com o múltiplo. A história do fio e da arquitetura que você se perde. Na idade média era a história do superior e do inferior, do inferno e do céu. De repente cê tem a questão da... me ajude Andréa... A questão do que é aparente e a questão do que é...

 

Andréa ¾ ... que é o mais recente, né? Porque esse do múltiplo, o que que o mito coloca? Teseu vai lá, não sei se vocês conhecem... Então tem um fio, não é?, que você vai até o centro, mata o Minotauro e volta, né? Então você tem um objetivo determinado, você tem, apesar do labirinto, a figura do labirinto, ele ter várias bifurcações e várias encruzilhadas, você tem um caminho a percorrer, né? e esse caminho já é determinado. Eu vou lá e se eu não matar o Minotauro ele me come. Aí ele joga um pouco com isso do caminho único e dos caminhos múltiplos. Que é uma questão que é muito atual em relação à educação. Você faz um planejamento, como é que você faz esse planejamento? é um caminho único, você tem um objetivo só? você mexe com vários objetivos? como é que você trabalha as diferenças? A coisa do inferno e céu que aparece muito. Quer dizer por que que é tão... por que essa tortura você entrar no labirinto. Esse jogo, assim, ao mesmo tempo que ele é fascinante, né? você não consegue resistir, né? tem a coisa da curiosidade que é muito própria do conhecimento. A coisa do explorar, a vontade de explorar. Uma coisa que é muito humana, né? a vontade de explorar, a vontade de desvendar, a vontade de crescer, né? e ao mesmo tempo essa coisa do medo. E aí entra a coisa do inferno e do céu. E essa imagem do labirinto nesse período era muito isso, você percorre, é... você percorre, você passa por várias provas pra poder chegar no paraíso. E isso lança esse jogo do medo, do prazer, o que que movimenta esse conhecimento e o que que eu vou buscar na educação. Que outro... tem tantos paralelos nesse... Tem esse atual do mundo aparente, que ele coloca também, e o que tá nas sombras. Que aí você vai (?) a imagem dos castelos, dos subterrâneos, das cavernas, todas essas coisas que ficam escondidas ou embaixo da terra, ou que não são aparentes, né? pra você colocar... o que que é importante pro conhecimento, né? E aí você coloca desde a questão do conteúdo, de você ter um conteúdo determinado, até os sentimentos mais obscuros em você, que está ali influindo no seu processo e você não tá declarando, não é? Então joga com essa coisa do obscuro, do que é aparente e do que é mais obscuro e do que tá latente, não é? Aí vão mexer...

 

Tânia ¾ ... o conhecido e o desconhecido.

 

Andréa ¾ O conhecido e o desconhecido. E o incontrolável também, né? O que vem inesperadamente.

 

Sandra ¾ Eu acho que o interessante também que você pode fazer paralelos com a idéia do lúdico, né? Assim, no sentido que não vê só naquela estrutura binária: é isto ou é o contrário. Não assim, mas pensar o múltiplo mesmo. A possibilidade, por exemplo, de você trilhar vários caminhos e eventualmente não encontrar o caminho, né? mas se você trilhar realmente vários caminhos, é... de realmente pensar a idéia da multiplicidade, de não ficar presa à questão de ver só assim, aqueles contrastes que a gente está acostumada a ver, né? Porque você falou em obscuro, conhecido e desconhecido, mas eu acho que pra mim o labirinto, pra mim não entra nessa lógica aí. Porque essa é uma lógica binária. Então, pra mim o labirinto é uma lógica assim que quer justamente romper com essa lógica de que tudo tem seu contrário. Mas que tem várias possibilidades. As coisas tão intrincadas, estão misturadas e por isso mesmo você não consegue é... encontrar um caminho único, você não consegue é... criar um espaço onde você já sabe de antemão onde você vai chegar. Porque justamente você está numa coisa múltipla e intrincada. Então pra mim o labirinto eu vejo mais assim.

 

Andréa ¾ É porque esse texto que ele sugeriu, ele conta um pouco essa história do labirinto. E tem um outro que a gente até divulgou que ele diz exatamente isso: que esse labirinto de Creta, que na verdade ele é circular, né? então você vê... tem um... ele tem um... tem um processo de um caminho único e um processo de bifurcações, que é a imagem da árvore, e tem o processo que é de rede. Aí você vai pra todo canto, você não tem nem mais a idéia do tronco, da raiz, nada. É pra todo canto mesmo. Então foi, é... o labirinto vai meio que passando por esse processo na análise. Que aí passa... porque esse texto, ele faz um pouco desse... desse histórico, né? que ainda assim são idéias boas pra gente explorar em termos de sair desse binário.

 

Sandra ¾ Que eu acho muito difícil sair desse binário. Mas a gente (?) tentar.

 

Andréa ¾ É difícil representar. Isso é interessante. É difícil representar.

 

Eliane ¾ Acho que é difícil representar.

 

(?)

 

Eliane ¾ Eu agradeço porque minha voz tá muito fraca porque eu tô...

 

(?)

 

Eliane ¾ Eu acho interessante quando você toca nisso é porque se mistura, né? na imagem do labirinto, o mito com a realidade. E é uma coisa muito forte na gente. Eu estive em Creta  e visitei o palácio de Minos. E pra mim (?) foi a decepção que tava lá o palácio, escavado, né? porque na verdade quando a gente chega assim na rua a gente não vê, não imagina que tem nada lá, e aí você começa a descer, a descer, o próprio palácio já é um labirinto, na verdade. Belíssimo porque foi todo reconstruído, que havia sido incendiado, né? e um historiador inglês foi quem fez as escavações e o que encontrou dele conseguiu reconstruir as pinturas, belíssimas. Mas pra mim, assim, foi muito forte a decepção de não ter encontrado o labirinto onde estava o Minotauro. Não existia mais nada e nem foi reconstruído e nem, nada, nem sinal. E eu olhava ao redor e não encontrava o lugar onde poderia tá aquele labirinto que a gente imaginou, né? Aí foi que eu me convenci dessa história: onde tá o mito, onde tá a realidade. Porque tava lá o palácio, com o nome, o palácio de Minos, né? e a gente sabe que faz parte da mitologia grega e os gregos foram experts nessa história de misturar o mito com a realidade. E eu acho que na educação isso também acontece. E aí eu acho que tá a riqueza, né? essa busca de encontrar uma realidade e aprender através da realidade e não saber onde que tem mito na história. Eu acho que realmente é encantador esse processo. É desafiador. Você entrar nesse processo, mas também não ter assim a menor idéia de onde é que a gente vai chegar, onde é que vai dar. Eu acho que é rico, acho que realmente se aprende.

Andréa ¾ Há quem diga, viu? Que o palácio é que era mesmo o labirinto.

 

Eliane ¾ Porque realmente a sensação que eu tive foi essa. A gente desce, eu acho que uns cinco andares mais ou menos, se a gente fosse comparar com um edifício, mas, assim, em quilômetros, acho que é mais de quilômetro a extensão. Você desce vários andares, vai descendo... ruína, muita coisa... total ruína, só tem pedraria, mas lá no fundo mesmo muita coisa intacta, pinturas belíssimas, uma sala, por exemplo, só com o trono onde ele ficava, onde ele recebia as pessoas, outro trono onde ele fazia refeição, tudo assim pra você chegar... aí, as paredes tinham uma largura imensa, a iluminação toda especial, processo de calefação todo natural, não é? Porque não tinha aquecimento nem tinha ar condicionado. Então no inverno tinha que ser quente, no verão tinha que ser frio. Então cada... um sistema de esgoto belíssimo, que eu não sei como aquele povo era tão inteligente, né? o sistema de esgoto ainda funcionava, então, uma verdadeira engenharia. Eu tive essa sensação. Aí a primeira coisa que eu perguntei: cadê o labirinto do Minotauro? “Não, não tem, num sei quê...” Aí eu disse, meu Deus, isso aqui é verdade ou isso é mito? Fiquei maluca. É verdade ou é mito? Fiquei louca.

 

Chico ¾ Tava dentro do labirinto.

 

Eliane ¾ Tava. Aí eu tive essa interpretação. Pra mim o palácio era o próprio labirinto. Porque eu acho que pra chegar aonde o Minotauro estava realmente... e tava na parte que o pessoal reconstruiu o resto ficou... (?) um monte de coisa, tinha um rio, que tava completamente seco na época, no palácio tinha um rio, hoje já não tem mais o rio. Então, deixa a gente realemente...

 

Tânia Batista ¾ Primeiro dizer obrigada também por nos ter convidado, né? Um momento bom, assim, encontrar pessoas que a gente gosta. Eu fiquei assim... quando soube que vocês estavam apresentando um projeto chamado labirinto lá no doutorado em educação, eu fiquei me perguntando, é... por que caminhos vocês chegaram nesse nosso labirinto, né? porque o programa é também um labirinto, né? E fiquei pensando assim... porque eu venho acompanhando assim a história de vocês já de algum tempo e percebo que muitas das das atividades, das brincadeiras que vocês vêm propondo sempre foram muito assim, muito mais como que um tipo de fruição mesmo assim, de se dizer, de se expressar, de falar de algo que expressa o sentimento de vocês. Eu acho que vocês continuam fazendo isso. Mas eu tô querendo fazer uma pergunta assim pra vocês, né? é... como é que foi assim institucionalizar um projeto, né? algo que era muito maior que um projeto. Quer dizer, como é que foi essa trajetória assim de conseguir sistematizar isso? E a segunda pergunta que eu queria fazer é a seguinte: vocês têm um fio de Ariadne? Vocês querem sair do labirinto ou não?

 

Eduardo ¾ Fabiano, Paulo?... Estamos numa encruzilhada aqui.

 

VozesNI ¾ Fabiano! Vai, Fabiano!

 

(?)

 

Eduardo ¾ Tem uma caixa bem aí não dá pra pegar.

 

(?)

 

Fabiano ¾ Quando ela fala das brincadeiras da fruição, eu não vou contar a história, mas você está relacionando aos internos do pátio, não é isso?

 

Tânia Batista ¾ Também.

 

Fabiano ¾ Também. Essa brincadeira começou eu acho que quando o Manu brincava de patinete lá nos trilhos, ali no Senhor, Comunidade do Senhor, eu acho; o Eduardo soltava pipa ou corria de medo dos meninos da rua dele; e eu brincava de (?). No entanto a gente não se conhecia ainda. Mas na graduação é... a gente se conheceu e começamos a tramar alguma coisa. E é uma felicidade a Luiza de Teodoro estar aqui porque, eu e Eduardo, a gente começou a fazer alguns trabalhos pras disciplinas, né? e que os professores não aceitavam muito a idéia. E teve uma professora que é... ao invés de fazer a mesma postura dos professores que colocavam que isso não é história, isso é imaginação, isso é ficção, isso não é pensamento, a Luiza foi o ponto de inspiração pra gente continuar, né? o tipo de trabalho, de problematizações, de reflexões, da (?) que a gente fazia. Então eu acho que o projeto, ele, ele continua pequeno. Nossa intenção não é que ele seja grande, porque ele é apenas um projeto pra uma tese de doutorado, onde a gente pode perceber os limites ou não da academia. Então, é tanto que a intenção dele é extrapolar a própria academia, na medida em que temos o site, né? que é um dos elementos do projetos, e tem as oficinas que nós não sabemos ainda como é que vai ser direito isso e a gente tava falando de arte, e o próprio, e os próprios textos em livro que a gente já tem mais ou menos um ensaiozinho ali no texto lá da disciplina da Juraci. Não é fácil dobrar o labirinto (?) ou desdobrar, né? Dobrar no sentido de (?). Então eu acho que o projeto pra mim é uma coisa pequena, e continua sendo, é... E a segunda...

 

(?)

 

Fabiano ¾ Eu prefiro, não sei como é na cabeça do Paulo, da Andréa e do Eduardo, mas eu entro no labirinto sem o fio de Ariadne. Porque eu sou criança e não tenho medo de se perder.

 

(?)

 

FITA 1 LADO B

 

Shara ¾ ...que eu tô com a sensação de que... quando eu cheguei aqui... está no meio de pessoas que eu conheço. Tô super feliz de estar com pessoas que eu conheço, né. E... eu conhecia algumas pessoas, mas a sensação é de que eu tinha, de que eu tava estrangeira, né? A sensação que é necessária também. Porque, a gente dentro de casa, dentro da casa da gente, a gente até se perde, né? se a gente deixa, mas normalmente a gente não deixa. Então tem essas coisas misturadas do mito, e que, quando entra o Dionísio, né? essa coisa da brincadeira, tem também a coisa que é a tragédia mesmo, a destruição, que é necessária também, né? Eu não quero falar mais não.

 

Sandra ¾ A gente tava conversando aqui baixinho sobre essa questão do labirinto, aí eu disse: Eu acho que a gente sempre está no labirinto, né? Quer dizer, na verdade não existe o momento de não estar no labirinto. A gente sempre tá no labirinto, só que às vezes a gente imagina que não. Mas eu acho que a gente sempre tá no labirinto, então tem uns momentos assim aterrorizantes, como você falou e ele falou, né? e eu acredito, como ela, que isso faz parte e se perder talvez seja assim: você ter consciência que você está se perdendo, talvez é a grande novidade, né? Mas eu acho que decerta maneira está meio perdido, né?  A gente não tá... quem pode dizer que tem aquela segurança, que está assim tão firme, que já se encontrou e pronto,né? acabou-se. Eu acho que essa é uma forma de se enterrar vivo, né? dizer isso, né? Porque na verdade a gente tá sempre perdido de alguma maneira. E eu acho que isso que é a vida mesmo. A dinâmica da vida é a gente estar perdido e buscar ... é... certos ou errados. Acho que realmente é a metáfora da vida pra mim.

 

VNI ¾ Eu tava, desde que a gente começou, preocupado, tentando compreender um pouquinho o significado nessa metáfora toda da história de um fio, né? O fio de Ariadne. E, eu estava tentando encontrar uma solução pra essa questão quando ele ali (Fabiano) abdicou do fio, né? Então complicou mais ainda na minha cabeça. Aí eu fiquei pensando pro grupo: ora, o labirinto entendido como metáfora do conhecimento, né? o labirinto como esse espaço múltiplo, de mil possibilidades, de lugares conhecidos e desconhecidos, de lugares claros e escuros, que é uma coisa mesmo do conhecimento. De repente, nesse espaço, qual é o significado do fio? O que é o fio nesse espaço? O fio seria driblar tudo isso: a segurança de que a gente vai no escuro que não é escuro porque tá garantido pelo fio, né? a volta, né? quer dizer, uma aventura que a qualquer momento a gente tem a segurança de uma volta e uma volta pra onde? A segurança da volta e uma volta pra onde? Mas, quer dizer, eu queria saber do grupo como é que o grupo pensou essa coisa do fio. Ele ali abdicou do fio. O que é o fio? É uma forma de razão e, se for isso, que razão é essa, né? pro grupo, enfim, o que é o fio, né?

 

Sandro ¾ Antes de vir pra cá eu fui deixar uns amigos no aeroporto e, antes mesmo, do aeroporto pra cá, eu tive que passar no apartamento do André Haguete pra deixar [?ni]. E ele mora ali no Meireles, eu tinha o endereço, então, tinha que chegar lá, né? E as ruas aqui em Fortaleza, eu tô aqui há um ano e oito meses, e tal, penso que conheço Fortaleza porque estou andando de carro o tempo todo, né? então fui no Meireles ali e bom, se a gente entra na rua errada, aí já sabe, então eu me perdi e fiquei uns vinte minutos procurando o apartamento, com o endereço na mão, sabendo: “a rua é essa aqui, mas, até que eu consiga chegar na rua correta, então eu tive que ir pra outra, pra outra, então é quase um labirinto, uma labirinto mesmo. Por conta disso cheguei um pouco atrasado aqui e subi as escadas correndo pra ver, né? Então [?ni] eu já estava também num labirinto, né? Mas eu tava pensando aqui é... O que é que vocês têm refletido a respeito não só do labirinto como a metáfora, pegando a metáfora do labirinto, mas os personagens que transitam, né, no labirinto. O Minotauro, que figura, o que ele poderia tá simbolizando? As várias coisas que o Minotauro poderia tá simbolizando, pode tá simbolizando o diferente que me causa terror, o alien oitavo passageiro, né? o diferente que me causa terror. O Minotauro pode significar isso também. Você pode estar enclausurado como estavam os tripulantes, os astrônomos, no alien, com um monstro dentro. O próprio labirinto, né? [...ni] Mas o Minotauro também pode ser outra coisa que não seja só terror. O Teseu, o que que pode significar o Teseu? A Ariadne, né? O Teseu é a força, mas, sem o fio da [?] de Ariadne, Teseu também não é nada. Ele tem a força de matar o Minotauro, mas ele não tem a [?] por si só de sair do labirinto. Ele precisou dessa... do toque da Ariadne, né? Ao mesmo, no final ele não recompensou, quer dizer, ele não fica com Ariadne, né? Ele vai embora com Hipólita, com a irmã da Ariadne. Então são personagens que [residem?] dentro e fora do labirinto, né? que eu acho que vocês podem dar, não sei, pensando, né? fazer reflexões em cima desses personagens de dentro e de fora, de cima, de baixo, do labirinto. Talvez ajudar nessa reflexão sobre o conhecimento, sobre a educação [?ni]. Bom, é isso.

 

Wagner ¾ Depois da fala de várias pessoas aqui e, até mesmo antes de ter vindo pra cá, até me surpreendeu depois da chegada aqui, ter encontrado bem uns quatro ou cinco caleidoscópios ali em cima, né? E eu fiquei pensando também a respeito dessa história do fio de Ariadne e sobre o fato da gente estar dentro do labirinto. Eu comecei a pensar ontem se a gente tá dentro de alguma coisa ou se a gente é o próprio labirinto. [?ni] a gente continua sendo [...ni com interferências] é outra discussão que a gente teve. Deixa eu contextualizar o que que é a história da gente ser o próprio labirinto. A  Telga me corrige se eu tiver errado com a parte da medicina aí. Mas, se eu não me engano a nossa cabecinha cheia de neurônios, né? que são interligados uns aos outros, né? E, pelo que eu saiba, um neurônio pra ser ativado ele rouba energia de outros neurônios, é alguma marmota dessas aí. Mas, digamos, se eu olho pra um canto, eu tô ativando determinado lado da minha cabeça, se eu olho pra outro eu tô ativando outro. Entaõ eu tô comparando a cabeça da gente ao caleidoscópio: eu dou uma saculejada lá eu formo uma imagem, né? só que não precisa saculejar, basta mudar o campo visual, ou coisa parecida, usando campo visual como uma das formas de entrar, né? informação, sei lá. Da gente fabricar nossas informações. Agora, eu imagino um caleidoscópio que as peças não são completamente dadas e não mutantes. Imagina peças mutantes lá dentro. Associa peças mutantes dando uma saculejada também nesse caleidoscópio. Em que algumas peças nascem e outras morrem e elas passam a se combinar e recombinar. Então, de repente, parece que a gente tá num mundo que é uma rede só e que as coisas vão mudando de acordo com o movimento que é dado a elas e a gente mesmo passa a gerar esses movimentos. Então eu começo a ver uma história de um labirinto meio caleidoscópio, porque ele assume uma idéia de tridimensionalidade e linearidade que eu acho que bate um pouco com a história do Eduardo de: será que a gente pode se encontrar algum dia? será que a gente quer se encontrar? Será que a gente quer o fio de Ariadne? Será que a perspectiva de educação não seria realmente a gente poder se perder, e poder optar, né? Será que nos é dada a opção? Porque se eu tenho vários caleidoscópios interligados a outros caleidoscópios a imagem não fica mais dependente de um caleidoscópio, mas da interligação de todos. Então eu começo a ver a questão do labirinto não como a gente estando dentro do labirinto, mas como a gente sendo parte do labirinto também.

 

Fabiano ¾ Eu vou dizer só uma coisinha aqui... o que que me levou a pensar no doutorado pra educação. Eu tenho dois filhos: o Pedro e o João. Toda vida é uma novela quando eu vou colocá-los na escola, no início do ano. Tem uma palavrinha chamada linearidade e não-linearidade, são uma das palavras fortes para idéia do conhecimento. Quando a gente usa metáfora do labirinto como conhecimento, a gente também defende a idéia, sugere a idéia, de um conhecimento não-linear. Por que é que meu filho tem que aprender, né? pegar o livro na página um, passar pra dois, pra três, pra quatro, pra chegar até o final do livro, quando ele poderia tá abrindo em qualquer outra página, em qualquer outro lugar, em qualquer outra fonte, pra construção desse saber? Então esse foi o ponto vital que me levou a pensar a coisa da metáfora do labirinto com o conhecimento e sua relação com a educação. Por que que a gente só tem que aprender desse jeito? quando há uma multiplicidade de experiências e de formas, de maneiras de aprendizagem, né? Uma outra coisa é que o labirinto pra mim, ele não é mais aquele que o Dédalo construiu. Ele é construído no percurso. Daí pode ser, a própria pessoa ser o próprio labirinto. Mas ele é construído no percurso. Então, a nossa intenção [?] de construir um labirinto, mas é que as pessoas se encontrem ou se percam nesse labirinto. Porque a idéia de perder-se é também a idéia de encontrar coisas.

 

Cida ¾ Bom, alguns não me conhecem até agora, porque já foi um labirinto chegar aqui, foi um labirinto decidir se vinha aqui ou pro grupo de memória. Na verdade o que eu percebi [...] de labirinto aí, é o seguinte: a gente tem as coisas muito prontas. A gente estabelece os limites e quer que todos participem daqueles limites. E aí, quer dizer, nunca tá aberto pro novo. Essa questão do labirinto pra mim é, até mesmo o [?] pensando nisso, não fizeram [?], deveria... na construção simbólica da palavra, do mundo das letras, o que seria esse labirinto. E depois, no final, ele me deu uma resposta mais exata, é... o labirinto tá posto aí, nós vamos é descobrir os emaranhados. Porque quando eu cheguei com [?] na mão ele disse: não, não quero, eu me sinto presa. E labirinto eu tenho sempre a noção de caminhar, buscar. Aí eu tava olhando pro telhado dessa casa, aí eu tava pensando: as pessoas não percebem que é um labirinto. Foram em várias coxas que foram feitas. Porque antigamente as telhas eram feitas nas coxas dos negros, né? E, se você vê, as telhas aqui tem formatos diferentes, que também é outra visão de labirinto. Na construção da linguagem, no mundo em que eu vivo trabalhando com a língua portuguesa, eu vejo o labirinto um pouco uma coisa que você vai descobrir, [explicando?] onde está, sem se perder. E as pessoas têm muito medo de se perder. Imagina quem está... saiu do Mato Grosso, só [teve?] cachoeira e mato e cai numa cidade como Fortaleza em 23 dias, quantos labirintos eu não encontrei? É... às vezes as coisas que o mestrado e o doutorado acaba nos impondo, essa busca de metodologia é uma descoberta do labirinto, desse labirinto que já existe aí, principalmente na questão da educação. Ele falou de multiculturalismo. Na construção desse labirinto eu perguntaria pra vocês, e eu tô falando multiculturalismo no sentido das diversidades étnicas, e ele ali... eu vi um desenho que tinha os traços do índio, né? nas costas, e também [não?] vi muito a figura do negro, né? que ele trabalhou muito essa questão... se a gente vê as primeiras formações, antes dos portugueses chegarem e tomarem os espaços, como eram construídas... Então sempre quando eu pensei, desde a primeira vez que eu conheci a Andréa, na proposta de labirinto, eu vi toda a construção que já existia aí, sem ficar presa a Dionísio, a Teseu... Porque a vida é um labirinto.

 

Luiza ¾ Olha, eu tô fascinada por tudo isso, mas acontece que eu estou com uma escola onde eu lido com professores, professores de primeiro grau, pessoas que são as orientadoras dos filhos do povo, né? das escolas públicas, e, eu só queria que de todas essas riquezas de imaginação, de especulação, vocês que estão fazendo faculdade de educação, que vão ser doutores em educação, não esquecessem dessas pessoas que estão aí, e que estão exatamente presas no pior dos labirintos, que é esse labirinto onde só tem o medo e não a esperança. Não é por causa de negócio de governo, nem de salário, nem de nada não, é por causa da falta de grandeza. Que as escolas de formação de professores não conseguem fazer que as pessoas percebam tudo isso, essa coragem que faz a gente entrar no labirinto e saber que podem encontrar a morte e não ter medo da morte. E a morte ser um estímulo pra você continuar vivo. Porque pra mim essa questão do medo a criança é que sabe. Todos vocês se lembram mais do que eu quando foram criança, porque estão mais perto disso, de como a gente gostava de ter medo. A gente adorava essas histórias que faziam medo a gente, né? Então, as crianças, por exemplo, elas vêem esses filmes horrorosos de televisão que eu não tenho mais coragem de ver, não tenho, eu moro sozinha, de repente quando eu começo a olhar praquele negócio eu mudo de canal. Mas menino fica ali vidrado e acha ótimo. Essa grandeza a gente vai perdendo. E quando eu vejo as professoras minhas alunas, que são a maioria de mulheres, num universo de mil alunos eu acho que tem três homens ensinando primeiro grau e fazendo curso na minha escola, então, eu vejo isso: como essas pessoas perderam a grandeza de ter medo. Elas têm um medo pequeno, esse medinho frouxo, esse medinho besta, esse medinho que faz você se agarrar nas coisas... qual é o próximo passo que eu vou dar? qual é o programa? qual é o currículo? qual é a nota? qual é o conteúdo? qual é a didática, se é antiga, se é nova? qual é o método mais recente? o que que é construtivista, o que que é desconstrutivista, o que que é construtivismo? entende? É uma coisa mesquinha. E eu fico me pergutando: meu Deus, vocês fazem umas teses tão lindas, vocês tão tendo a coragem, graças a Deus, de pensar em coisas assim incríveis, que metem... que vão da Grécia a Parangaba em um minuto, como é, como é que vocês podem nos ajudar a criar esse medo saudável que é ao mesmo tempo a coragem. Porque se você não tem medo você não tem coragem. Se você não tem medo você é um inconsciente. Mas se você tem medo e assim mesmo você vai, aí é coragem. Então, criar como é... O que me interessa no momento é como é que a gente vai dar consciência às pessoas que estão cuidando das nossas crianças disso aí: que uma coisa não é uma coisa depois é outra coisa? Eu fiz um livro, um planeta azul aí, que as pessoas têm medo de usar, porque veja, ao você abrir, você tem que ler. Então ficam cobrando: mas você não fez uns cadernos de trabalho, de exercício, você não fez um guia do professor, como é que a gente vai usar isso assim, porque não tem um guia do professor, cadê o guia do professor? Então [ficam no ar?], não tem guia do professor, o negócio é abrir na página que abrir você tem o que ler, tem o que gostar. Então essa, a falta de coragem é isso, entende? o medo é isso. Não é um medo assim de você... é um medo de abrir um livro e não ter um guia pra dizer onde é que você vai usar aquilo que você tá fazendo. O medo é o medo de ser grande, é não ter coragem de inventar porque nunca ninguém fez isso, então, como é que eu vou fazer? que que vão dizer de mim? que que vão achar de mim? Eu tô tão machucada com essa pequenez de espaço, de pessoas que eu sei que são maravilhosas, que tão dando a vida por uma coisa que não dá prestígio social, que não dá dinheiro, que não dá pra você viajar pro exterior, que não dá nem pra você ir pra Miami, né? E você fica ali, todo dia trabalhando, e não consegue crescer interiormente, não consegue perceber em que labirinto estão, e que aventura incrível e maravilhosa é estar nesse labirinto. E que não tem, ou com fio ou sem fio, porque [é importante que se lembre?], o fio de Ariadne, Teseu não entrou contando com ele não. O Mito não é isso não. Ela deu porque amava ele: eu quero você de volta, leve o fio. A gente esquece esse dado porque também não tá mais na moda falar de amor, não é? Isso é caretice, é coisa quadrada, esse negócio todo. Então a gente tem que levar essas coisas aí em consideração, não sei pra que que serve isso que eu tô dizendo, mas eu tô aguniada, aguniada porque eu não sei como é que essas meninas vão crescer pra esses garotos que tão precisando delas. E eu tenho que apelar é pra quem é da faculdade de educação, porque vocês, vocês é que vão [dirigir?] isso. E eu não vou... porque eu vejo lá na secretaria de educação gente que passou por essa faculdade, que escreveu teses muito bonitas, e que quando chegou lá fica esperando pra ver o que que o secretário de educação quer que ela diga pra poder dizer depois. Desculpe mas... eu tô no chão... e num labirinto infernal, porque é assim de Minotauro, sabe? Não é só um não, são muitos.

 

Castro Jr. ¾ Pegando essa [?] exatamente essa coisa que ela falou... mas com certeza, eu vim até aqui exatamente por isso, que é essa coragem de romper com essas barreiras da academia [?] tanto é que [?] com um medo danado. Pra falar [?] começo [?]. [?] a gente discutindo, se apresentando, um projeto que já está finalmente dentro da academia, mas a gente com medo de tratar essa questão. E aí, tô tomando essa direção dela exatamente porque eu tô buscando compreender a outra dimensão desse real, desse concreto, a partir de umas coisas aí do campo, campo [?]. E pensando, curioso mesmo na verdade com duas dimensões. Uma do ponto de vista desse como formalizar [?] porque a academia tem toda uma formalização, trabalhar isso. E a outra é com respeito, e aí entra meu labirinto bem pessoal, porque, no caso, eu tenho um filho mais novo que ele conseguiu ser reprovado duas vezes, e ele tá com a possibilidade de ser reprovado pela terceira vez. O menino é o cão comendo mariola. Ele, interessantíssimo, ele é espetacular, tá certo? Dentro disso aí como que é trabalhada essa questão, porque ele é... videogame, né? tem um outro amigo dele... é altas teorizações naqueles jogos de videogame que são aparentemente violentos e tudo, mas eles ficam brincando com aquilo com labirintos que são aqueles jogos. E o labirinto da vida deles, falando assim dessa forma, do ponto de vista do... ele consegue... eu digo, por exemplo... ele sobe... ele consegue um dia subir em caixa dágua [?ni]... subir em caixa dágua, foge da escola e vai... é totalmente diferente disso que tá posto e aí o que que tá acontecendo no concreto, no real com a gente em casa é que...

 

VNI ¾ Tá sendo comido pelo Minotauro

 

Castro Jr. ¾ É... aí o que que acontece... agora, nesse momento agora, o menino tá indo pra possibilidade de ser reprovado pela terceira vez e eu tô achando muito bom [?] conversando... revista... matéria de psicólogo [?] Ele compreende, conhece muito bem, se vira dentro dessa vida, dentro do real e do concreto muito bem e alguns conhecimentos desses formais, aí eu quero pegar um pouco disso aí, que se apresentam do ponto de vista das matérias, português, matemática, física, geometria... ele escolhe seletivamente geometria, fica trabalhando, é um danado em geometria [?] Só que as professoras ainda não tão conseguindo ver isso. Elas não tão conseguindo ver esse tipo de entendimento que ele tem. Simplesmente é uma pessoa que nós não conseguimos adaptá-lo [?]  Então, no caso, a partir disso, como é que vocês estão pensando, ou não estão pensando, [?] isso que vocês tão tentando construir, mas pra que então possam crescer esses Minotauros que ela falou, esses Minotauros que existem do ponto de vista da própria academia e do ponto de vista onde com certeza vão se apropriar disso, de um lado, e outro com respeito exatamente da perspectiva do... da chamada base que não é... da educação formal. Dessa perspectiva aí... o que vocês estão propondo é o rompimento da forma como se dá o conhecimento, em cima [?].

 

VNI(mulher) ¾ Quando o Eduardo começou a falar [?] o labirinto que o Andre Haguete começou a construir, eu fiquei imaginando que labirinto seria esse, né? Ele tava falando ali e... eu sou psicóloga mas meu trabalho é bem de educação popular, trabalho com comunidades, então eu acho que esse labirinto está na relação com o aluno. Eu acho que o grande Minotauro, o grande medo, é se aproximar do aluno, a relação professor-aluno. Como é que a gente faz com esse menino que é danado, que é o cão comendo mariola? Como é que faz? Então, assim, acho que essa questão do labirinto entraria na relação do professor com o aluno. Porque ninguém sabe no que vai dar. Como eu não sei no que vai dar a relação que eu estabeleço com as pessoas com quem eu crio vínculo na comunidade. Então, eu [?] com vários grupos comunitários e com cada pessoa eu crio um vínculo muito forte, um vínculo afetivo. Onde é que vai dar? Qual a responsabilidade que eu tenho sobre a vida daquela pessoa que às vezes chega pra mim e conta toda a vida dela? Então eu acho que é só uma questão de colocar aí o que permeia a relação professor-aluno, no caso aqui nós tamo falando de educação, seria esse grande labirinto, né? De chegar no outro, de ser perder no outro, de se achar um outro ou de ver no mesmo um outro.

 

Andréa ¾ Acho que uma das coisas que é muito curiosa é que a gente falou de algumas imagens do labirinto, três oposições, na verdade tem outras, e a gente tá  passeando por vários tempos aqui. E sinto muito essa sensação de idade média, de novo do labirinto como uma coisa perigosa e ameaçadora, aí queria lembrar uma imagem, que talvez tenha sido a primeira imagem de quando eu comecei a vasculhar essa coisa do mito e dessa metáfora labirinto-conhecimento, e é do encontro do Teseu com o Minotauro. Que na verdade é a idéia do outro meio como um espelho. Parece que o Minotauro é um bicho que a gente tem que fugir dele. E a primeira imagem que me veio do Minotauro foi como aquilo que tá aprisionado dentro da gente. Como se matar o Minotauro fosse matar os bichos que estão dentro da gente e não como uma coisa que a gente tenha que fugir, como algo que está fora. Então volta um pouco idéia do Wagner de que nós somos o labirinto, ou, outra imagem muito próxima, de que na verdade a gente vai construindo o labirinto à medida que a gente vai andando. Quer dizer, seja pelas... através dos neurônios, seja através do corpo, através de informações, através de qualquer coisa, né? a gente vai construindo o labirinto. E aí dentro dessa imagem do Minotauro sendo na verdade coisas que tão muito aprisionadas no próprio Teseu me veio uma idéia, que eu tava relendo hoje, que diz, em relação ao fio de Ariadne... cadê o rapaz que perguntou do fio de Ariadne... que é a idéia da exploração e da análise. Que dentro dessa experiência do labirinto, a experiência de vida da gente, a gente tem sempre momentos de exploração e momentos de análise. Aqueles momentos que, ah, eu quero conhecer, eu quero fuçar, aquela coisa de menino mesmo, como a Luiza falou, e a coisa de a gente vai fazendo e vai pensando sobe o que a gente vai fazendo. E talvez o fio de Ariadne, talvez, foi o que me veio, né? de vocês falando, foi um pouco essa coisa da análise, que é tão pertinente a gente quanto a própria exploração. A gente tanto tem uma inquietação, é tão inevitável a gente sair explorando, e querer ver e tem a curiosidade, quanto a gente pensar sobre o que a gente fez.

 

Rita de Cássia (turma 2001/2) ¾  Aquela sua imagem do Minotauro como os medos, né? como os próprios medos... Eu sempre aprendi... eu aprendi mitologia com o Monteiro Lobato. Então eu sempre aprendi que o Minotauro vem atrás dos bolinhos da Tia Nastácia, queria levar a Tia Nastácia com ele. Aí entra a capacidade que o Monteiro Lobato teve, que eu acho que nenhum outro escritor pra criança ou adulto teve, de pegar a ginga brasileira e brincar com... (fim do lado).

 

FITA 2 ¾ LADO A

 

Rita de Cássia (turma 2001/2) ¾ Na experiência da ótica de cada personagem se entender o eu. Acho que vocês podem ir em busca do Fernando Pessoa. Obrigada, Paulo.

 

Eduardo ¾ Esse aí que vai falar é o Alexandre Veras que é o nosso anfitrião. É uma das criaturas que está levando adiante o Alpendre. Aproveito para agradecer e convidar vocês a virem para outras programações do Alpendre.

 

Alexandre ¾ Eu queria pensar um pouco em cima do que a Andréa falou do fio, essa linha da exploração da análise, mas pensar isso sobre o ponto de vista da narrativa ... Eu sinto uma preocupação em relação à imagem, eu trabalho com imagem, eu trabalho com vídeo, e a gente sempre atribui... Nossa relação com o vídeo, com o cinema, ela é sempre mediada pela possibilidade da narrativa. Ou seja, a gente só entra na imagem a partir do momento que a gente começa a estabelecer uma narrativa a partir dela. A gente não se debate muito, quando a gente está fazendo um vídeo, quando está fazendo um filme, com a aspereza da imagem, aspereza no sentido da materialidade própria dela. Ela é sempre reconduzida a um sentido que passa pela narrativa. Então, quais os valores cromáticos, plásticos, ou mesmo de inquietude, de indecifrável da imagem que se perdem na linha da narrativa? (?) Eu acho que o fio de Ariadne pode ser pensado um pouco como essa narrativa. E aí eu queria fazer uma provocação assim: se o Teseu não seria o assassino do labirinto? Porque ele acaba com o labirinto. Primeiro ele cria o estratagema para sair do labirinto, ou seja, ele inviabiliza o labirinto como uma complexidade inextrincável. Ele cria um estratagema para sair, não ele necessariamente, mas o fio e ele mata o Minotauro, que é o escondido, a dimensão oculta, invisível do labirinto. Então a gente sempre, às vezes fica um pouco com essa inquietação: que é como se o Teseu fosse... a ida do Teseu ao Minotauro, ao labirinto, acabou com o labirinto, com essa imagem. O labirinto sempre trabalhou com essa perspectiva e me parece que o Teseu é o que sai pra contar a história. Ele sai pra contar a história do labirinto e outros não saíram. E aí tem uma passagem do Blanchot, (os dois nomes), que é um pensador francês, que ele fala no labirinto, e que ele coloca assim: essa experiência de narrar o labirinto é sempre paradoxal porque sempre dá uma sensação de que quem saiu não o viveu suficientemente. Porque se você mergulhar no labirinto com toda sua radicalidade, ele é um convite ao percurso, a uma viagem longa, ao contrário do fio de Ariadne ou outra forma de percorrer o labirinto que seria a Ariadne louca , percorrer todos os caminhos, numa dimensão também lúdica, ou trágica, mas ele... Vixe eu me perdi agora, fui falar da Ariadne louca, me perdi... do Teseu como o que sai, mas, ao mesmo tempo, por que transformar, por que trazer o labirinto como uma imagem super emblemática de uma impossibilidade de decifração, por que trazer ele para um plano... Acho importante contar com a metáfora do labirinto, mas tomar muito cuidado para não esgotar, numa tentação pedagógica muito imediata, acho que tem que se manter uma tensão, uma suspensão, que continuasse nos inquietando. Nesse sentido que eu puxo um pouco para essa idéia do Teseu como aquele que volta pra narrar o labirinto. E aí só voltar um pouco para a distinção do próprio arquiteto, que é aquele texto que uma vez a gente conversou, que é a diferença do arquiteto e o viajante em relação ao labirinto. Quem faz o labirinto é o viajante, não é o arquiteto. O arquiteto cria,vamos dizer, os caminhos. Ele faz a arquitetura,o desenho flanérico do labirinto. Mas o labirinto talvez se constitua muito mais como experiência do que o espaço concreto. Então, o que mantém mais o labirinto seria essa experiência de mergulhar. E essa experiência de certa forma é intraduzível. Sair do labirinto e contar é, de certa forma, trair o labirinto. Era isso que eu queria...

 

Paulo ¾ Em relação ao personagem que o Sandro falou, a gente pensa na segunda atividade possivelmente enfocar os quatro personagens pra enriquecer essa discussão. Qual seria a perspectiva de cada um diante do labirinto. O que significa o labirinto para o Dédalo, para o Teseu, para o Minotauro, para a Ariadne. E eu acho que, digamos, esse é o grande desafio pra gente hoje, educador, a gente incorporar todas essas contribuições filosóficas, científicas e compreender a educação num patamar diferente do que vem sendo compreendido. Se a gente tinha até então a possibilidade de um método que atendesse a 30, 40, 50 alunos: se eu fizesse isso haveria aprendizagem da mesma forma para alunos tão diferentes; cada vez mais vem se mostrando a impossibilidade e o fracasso de se tentar esse método único que atenda pessoas que cada vez mais descobrem que somos, somos, tão diferentes. Então eu acho que essa é uma primeira pista do que a gente pensa como educação. Não é possível a gente pensar num método a partir do momento que a gente constata que o que foi feito até aqui, evidências filosófico-científicas, é um equívoco. Bom, então, se é possível o professor distribuir (r)bolinhos para seus alunos, quer dizer: você percorra esse caminho, você percorra esse... Então se abre uma nova perspectiva para o papel do educador, que é exatamente cada aluno, cada pessoa, o professor também se inclui nessa perspectiva, de carregar dentro de si, pensando nesse sentido a vida dele também como labirinto e que a gente está sempre buscando dar significado à vida, numa construção que é feita nas relações sociais, e esses fios, a responsabilidade desses fios é de cada pessoa. E a gente carrega, na verdade, vários fios, vários caleidoscópios. E esses caleidoscópios vão fazendo os links, as ligações. Então é nesse sentido que a gente pensa um pouco a questão da interdisciplinaridade, do (?). Quer dizer, as pessoas aprendem das formas mais diversas possíveis de acordo com as aptidões, com os valores, com as experiências prévias. Então o fio de Ariadne, na verdade, se a gente pudesse pensar alguma coisa seriam nos fios de Ariadne. Quer dizer, o fio com certeza não existe nessa nossa perspectiva, vão existir os fios. E ela vai estar sempre (brincando) com inúmeros fios: comprando, perdendo, deixando, guardando,... inúmeros fios que ela não tem controle, porque o objetivo dela não é, no sentido do que o Alexandre falou, o objetivo dela não é saber (?) mas o que é que carregar esse fio pode,no momento, lincar ou não lincar significou para a vida dela. Mais importante que os fios que ela carrega é a própria vida. Então eu acho que seria isso aí pra começar.

 

Elvis ¾ Você falou em Fernando Pessoa. Aí eu tava lembrando de Eros e Psique, quando Fernando Pessoa diz, se eu me lembro ainda... “Conta a lenda que dormia / Uma princesa encantada / A quem só despertaria / Um Infante, que viria / De além do muro da estrada. // Ele tinha que, tentado, / Vencer o mal e o bem, / Antes que, já libertado, / Deixasse o caminho errado / Por o que à princesa vem. // A princesa Adormecida / Se espera, dormindo espera. / Sonha em morte a sua vida, / E orna-lhe a fronte esquecida / Verde, uma grinalda de hera. // Longe o Infante, esforçado, / Sem saber que intuito tem, / Rompe o caminho fadado. / Ele dela é ignorado. / Ela para ele é ninguém. // Mas cada um cumpre o Destino ¾ / Ela dormindo encantada, / Ele buscando-a sem tino / Pelo processo divino / Que faz existir a estrada. // E, se bem que seja obscuro / Tudo pela estrada fora, / E falso, ele vem seguro, / E, vencendo estrada e muro, / Chega onde em sono ela mora. // E, inda tonto do que houvera, / À cabeça, em maresia, / Ergue a mão, e encontra hera, / E vê que ele mesmo era / A princesa que dormia.” Eu acho que é mais ou menos isso. Essa coisa do labirinto eu acho que a gente enquanto educador, a gente corre o risco de tentar ocultar o labirinto, fazer de conta que o labirinto não existe. A gente passou muito tempo... eu sou o labirinto, o labirinto são as ruas pra chegar até aqui... Eu tava aqui brincando com a Luiza: o Minotauro é a Capes. Mas na verdade a gente corre esse risco enquanto educador de não conscientizar do labirinto. O fato d’eu ter vindo pra cá hoje, uma reunião da faculdade de educação fora da faculdade de educação faz com que eu tome consciência do labirinto que é a faculdade de educação, entende? Isso é uma coisa muito importante pra mim e eu fico muito grato a vocês por ter tido essa oportunidade. Eu vou voltar pro labirinto lá com mais consciência e procurando o Minotauro, entende? Sem medo dele, mas tentando encontrar. Eu acho que a gente tem que ir tomando consciência desses labirintos todos: desses que estão dentro da gente, dos que estão fora, do labirinto que cada pessoa representa, cada pessoa com quem a gente encontra, seja essa pessoa aluno, ou seja amigo, seja o que for. A gente sempre corre o risco de ignorar o labirinto e fica muito complicado, isso inviabiliza a educação. A gente fica sempre querendo ter a pretensão de ser o fio de Ariadne, aquele que vai mostrar o caminho certo de sair do labirinto, quando na verdade a gente tá é negando o labirinto. É isso que me parece.

 

VNI ¾ Eu vou ter que sair e eu me sinto ruim num determinado encontro, parece que eu não tô presente aqui. Então, assim, quando a Luiza falava de coragem e de medo, meu medo aumentou e ao mesmo tempo a coragem de falar. Esse labirinto da Faced, realmente, pra mim é um labirinto desde 92 e agora parece que eu vou chegar na saída que é receber o certificado. Então eu ainda não tenho certeza se eu vou chegar nessa saída porque pra mim é muito difícil vencer os (?) lá. Porque eu trabalho 8 horas na escola pública, e em outros espaços também, com a educação das classes populares, e, pra mim, estar no labirinto da educação na escola, nos espaços, nas comunidades, eu me sinto muito segura. Você fica (?) sei o que eu quero, sei qual o caminho que eu quero seguir, tenho idéia mais ou menos de como vou consegui meus objetivos. Quando eu chego na academia eu me sinto perdida. Quando eu olho pra vocês, mestrandos e doutorandos e essas coisas todas, eu me sinto muito ignorante nessa linguagem da academia. Muito ignorante. Quando hoje eu tive que procurar a Sandra pra fazer uma disciplina... tinha dito... procurar um professor e se engajar na pesquisa... “¾ Valha meu Deus do céu, o que é isso?” Aí graças a Deus eu encontrei a Rosi: “¾ Rosi me explica como é esse negócio de se engajar em pesquisa de professor, eu nunca fiz isso?” Mas eu tenho consciência, assim, intuitiva, de que eu faço pesquisa diariamente com meu trabalho porque eu estou nessa coisa da educação acho que há 17 anos. E tem sido uma pesquisa muito intensa essa coisa de desenvolver uma metodologia que chegue até a criança, ao adolescente ou ao adulto. Porque uma coisa que eu comecei a ver na reunião do grupo de pesquisa da Sandra foi a coisa da linguagem. Às vezes, a gente acha que está sendo muito claro. E quando vocês chegaram aqui... labirinto... “¾ Valha me Deus, eu não vi nada disso ainda!” Sei um pouquinho assim, né?, do Monteiro Lobato também, mas, assim, acho que não tive ainda a paciência de ler, assim, essas coisas. Mas quando vocês começaram a dar exemplo, aí eu comecei a entender melhor. Então eu vejo que eu entendo melhor a prática. Então eu fico pensando: “Será que um dia eu vou chegar a fazer mestrado em educação? Será que eu tenho paciência de chegar ao mestrado?” Acho uma coisa muito importante vocês conseguirem. Eu não me sinto uma estranha aqui, porque acho que a gente tem o mesmo sonho: uns do doutorado, uns já estão... aumentando as pernas, né?, não sei o quê... Acho uma coisa muito importante pra educação. Acho que nós educadores e como... a gente precisa de vocês. E eu fico pensando assim: “Meu Deus que labirinto é esse? Será que eu chego lá?” Essa história... Porque eu gostaria muito, porque eu vejo que referenda minha prática, né? Se eu tivesse esse tipo... Esse tipo de graduação já me dá um certo resultado lá na escola: “Ela vai terminar pedagogia na Ufc!”. O pessoal pergunta mais, sabe! E as meninas que estão lá na UVA, vixe... são... (?) a UVA, né?... Então, assim, é um labirinto muito grande essa coisa da academia pra mim. Eu imagino o que deve ser para o povo, o povão mesmo, que não consegue entender nem ainda a linguagem que eu já entendo, né? (?) Me acalma muito quando fala em Paulo Freire, eu fico mais calma, fico mais calma. E hoje pela primeira vez eu peguei no livro do professor Jacques, da sociopoética, (?) recentemente que eu li, aí quando ele citou Paulo Freire, aí eu respirei mais aliviada, porque, assim, alguns professores e mestres são referenciais pra mim, acredito muito neles, aqui tem muitos deles, aqui, né? E quando é na faculdade, professores que a gente vai encontrando nesse labirinto todo... Então, de repente assim, do livro quando eu vejo pessoas que (?) que tão aqui (?) Jacques e a sociopoética (?) A Rosi falava (?) quando eu estava lendo a introdução do livro, achei muito interessante. Eu preciso (?) da sociopoética. Eu preciso arranjar o dinheiro pra comprar o livro da sociopoética. Então é um labirinto muito grande. De repente você quer ser um educador baseado na pedagogia de Paulo Freire, não porque não porque eu descobri primeiro o Paulo Freire, mas eu descobri primeiro minha metodologia de trabalho, então eu identifico. Quando eu li Paulo Freire: ah, é mais ou menos que eu acredito. Então vi as semelhanças, né? Então eu acho muito complicado assim as abstrações pra mim. (?) Eu não tô conseguindo chegar nem na abstração (?) É um nível de abstração muito alto pra mim. Mas assim, eu quero que fique claro que eu admiro muito o estudo, o empenho (?) Muita gente aqui também tá na prática como eu, né... (?) Então, eu queria só desabafar um pouquinho e essa coragem de falar... essa lingugem... (?) evidências filosóficas científicas... essa linguagem assim e o cuidado que a gente precisa ter, quem tá preocupado realmente  de chegar até o povo e contribuir pra esse povo que tá precisando tanto. A linguagem que uma coisa que a Ana Iório trabalha muito, a linguagem. A nossa fala estar chegando lá? A gente quer que ela chegue? Como é que a gente está falando? Entendeu? Então, eu espero que eu tenha sendo entendido, questão de linguagem, eu tenha chegado até vocês. Obrigado.

 

Luciana – Aproveitando a deixa da nossa colega, eu queria dizer pra ela que também é uma preocupação não só dela, que está na graduação, mas também de quem está entrando no mestrado. De você associar também a linguagem acadêmica, do mestrado. Na minha cabeça, eu quero simplificar ao máximo minha forma de escrever. Não quero usar nunca pragmatismos ou palavras dificéis assim, que a pessoa que vá ler a minha tese não compreenda, apesar de que tenha uma linguagem científica... (?) Mas, se eu você. Não embarcava nessa. Eu procurava ser o mais simples possível. E com relação ao labirinto, eu passei a maior parte do tempo brincando ali nos jogos e foi a melhor parte que eu achei porque é mais divertido. Eu acho que o labirinto mesmo, real da vida, não é tão divertido assim. Ele é muito mais sério, mais complicado e, às vezes, a gente vai só por aquele caminho certinho e você não viaja no labirinto. Eu tava ali, fazendo uma caminhada junto com o Fabiano e o Paulo e várias vezes eu me perdi dentro do labirinto (labirintos da Mônica e outros), risquei, rabisquei, fui por outro caminho. Mas achei legal. Por quê? Porque me perdi e busquei me encontrar. Ninguém me botou um fio para eu seguir. Eu acho que às vezes, na educação, o professor tenta ser esse fio e não é legal. É preciso deixar se perder. Eu também já estou de saída e queria dar essa contribuição e dizer que é importante a academia, é importante o saber científico, é importante buscar, é importante a escola, mas é importante também que a escola mude também a sua maneira de pensar. É importante que a escola deixe que o aluno se perca e... eu acho que eu tô louca pra ler o resultado da pesquisa de vocês. Terminem logo (risos).

 

Eduardo – pra quem tá na peinha de sair, não saia não que a gente já vai terminar.

 

Telga – Bem, eu acho que o labirinto de vocês é uma aprendizagem. Agora eu não gostei muito dessa intromissão da mitologia. Porque eu acho que a mitologia é o que vocês fazem muito na educação. É sonho. Eu acho que a gente deve Ter mais feijão, principalmente no nosso país. Então, o labirinto pra mim, a primeira imagem que vem, é aquela imagem de que? Um labirintozinho montado, um ratinho correndo e um estímulo/resposta, estímulo/resposta... (?) então, isso pra mim é que é aprendizagem. Então, esses sustos, esses medos que falaram aqui, eu acho que isso a gente sempre tem. Toda vida que a gente chega num ambiente em que a gente vai perguntar alguma coisa, a gente tem medo de perguntar. Tem medo de que a outra pessoa ria, num sei o quê. Então, eu acho que esses sustos, esses medos que a gente enfrenta... cada vez que a gente dobra um pedacinho do labirinto é aquela mesma sensação que eu acho que a gente tem quando quer aprender. A gente primeiro sente aquela ânsia de chegar. Quando a gente consegue, que a gente aprende alguma coisa, eu acho que a gente tem uma glória imensa,  uma satisfação imensa. E como nós sabemos, a aprendizagem tá muito perto da dor e do prazer. Eu acho que isso aí, as pesquisas dizem isso. Até mesmo o centro da aprendizagem é muito como... lá no nosso cérebro, com o pedacinho que tá perto da dor e do prazer. Então, a aprendizagem sempre é isso. Ela tem aquela ansiedade, aquele medo, mas depois a gente vence. Uma outra coisa, que foi a professora Sandra que falou. Ela disse que não deveria existir essa nossa posição de um lado uma coisa e outra. Nós sabemos que na vida tudo tem o quê? Tem o início, tem o meio e tem o fim. Entre aspas. Eu falo o quê? Um nascimento, um crescimento e uma morte. Então, nada é só de um lado e do outro. Então, isso aí é uma outra coisa que sempre eu fico encucada, quando nós conversamos. Essa mania de ciência e não-ciência. Então, me veio a mente, na hora que ela estava falando, que o labirinto, com todos esses caminhos a seres seguidos, pode ser o quê? Pode ser o mundo de conhecimentos e saberes que nós temos. Todos eles podem levar até um final que nós tendemos almejar. E nunca o final de um é o final do outro. Então, eu acho que não existe briga de ciência e não-ciência. Todos os conhecimentos são importantes. Todos eles podem levar a um determinado caminho. Eu acredito que era só isso. Só pra não ficar calada, como disse a professora... (?).

Marcílio – pensando no labirinto, né. Eu vi um monte de gente falando que no labirinto tem até a possibilidade de agarrar o fio de Ariadne, de chegar e a trair o labirinto e as coisas estão sempre fora do labirinto, né? Os objetivos estão sempre fora do labirinto. Tem vários labirintos. Aí eu me pergunto se dentro do labirinto não existe tantas coisas assim, nas paredes do labirinto, nos muros do labirinto. Tantas coisas a ser observadas, tantas coisas a se vê. E se a relação de conhecimento com o labirinto, não podia se dar dentro do próprio labirinto, né. É um pouco do que o Fabiano falou, de que a gente não precisa... que abdica do fio de Ariadne, né. Eu acho que dentro do próprio labirinto, principalmente quando você pensa que... eu penso muito isso, que eu não consigo conhecer, não consigo aprender aquelas coisas que eu não gosto. Não consigo aprender sobre aquilo que não me atrai. Então, eu penso que pra chegar ao conhecimento, pra assimilar o conhecimento sobre alguma coisa eu preciso gostar do que eu observo, né. E assim, do próprio processo de observação, o próprio processo de como eu tô vendo e tal. O que eu tô vivendo dentro desse labirinto, né. Você tentar ver dentro do labirinto algumas coisas que (mutuamente?) pode me agradar. Eu acho que eu vou poder conhecer um monte de coisas lá dentro mesmo, né. Não saindo. É isso.

 

Sandra– Eu queria só dizer uma coisa porque a Luiza de Teodoro falou uma coisa bem interessante e também Alexandre em algum momento falou, uma coisa que me fez pensar. Ela perguntou como é que vocês poderiam fazer que nas escolas, com as professoras, como é que se pode chegar, passar essas idéias de trabalhar com essa visão do labirinto, como assim... poder se perder, se permitir isso e tudo mais. E aí também o Alexandre falou, na fala dele que tinha a questão da arquitetura, e tem os viajantes e, pelo o que eu entendi, o mais interessante são os viajantes. Não é a pessoa que arquitetou que cria o labirinto. Aí isso me fez pensar duas coisas: concordo com o Alexandre, eu penso assim, na minha diferença, que realmente a gente começa a aceitar um pouco mais a idéia do labirinto, né, com a possibilidade de se perder como algo realmente positivo, né, algo enriquecedor, quando a gente pode vivenciar, experenciar... quer dizer, eu posso até ser a professora que arquiteta o labirinto, mas não é interessante se as pessoas que estão comigo não podem experenciar, não podem vivenciar aquilo, né. Elas precisam realmente viajar, fazer uma longa viagem comigo, né. Enfim, e até eu poder viajar com elas, descobrir outras coisas. Então assim, talvez a única coisa que a gente possa fazer – eu acredito que não é possível a questão de uma metodologia, de uma pedagogia com uma determinada receita, mesmo que a gente termine até dando um nome aquilo que a gente faz, por várias necessidades – mas no fundo não existe... quer dizer, eu vejo isso porque cada vez, em cada turma que eu trabalho, eu posso fazer às vezes até a mesma dinâmica e ter um resultado totalmente diferente, né. Porque depende totalmente das pessoas. E isso me faz estar sempre pensando novas formas. Por que eu vou ficar fazendo aquilo (?) se não vai dar o mesmo resultado da vez anterior. Então, o mais interessante é criar novas formas, né. Então assim, eu vejo que realmente há essa questão. Então, o que é que a gente pode fazer? É talvez propiciar as pessoas viajarem um pouco. Ter a oportunidade de viajar, de descobrir, de não ficar aí preso numa coisa só. Quer dizer, aí é que vem um pouco a idéia do facilitador do Jacques Gauthier, quer dizer, a gente pode facilitar esse processo, mas ao mesmo tempo sem pretender ter encontrado o único caminho que vai facilitar também, né. Quer dizer, de repente essa facilitação aparente, para algumas pessoas vai ser uma coisa muito  complicada, como a gente viu no curso que a gente fez com o Jacques Gauthier sobre a sócio-poética, ele pretendia facilitar processos para gente descobrir e que, pra algumas  pessoas, foi uma coisa que complicou demais, né. na vida, nas coisa delas, na percepção que elas tiveram, foi uma coisa que é... foi horrível, pra elas algumas coisas ficam muito difícies, né. Porque acho que é isso, né. Sempre tem essa mistura, essa coisa (intricada?). Não tem uma coisa que seja nem só prazerosa nem só dolorosa... aquela questão binária que eu acho que no fundo no fundo não existe, ela é bem (intricada?). Então eu penso muito essa  questão da viagem e poder propiciar isso as pessoas, né. Viajar e vivenciar porque a gente não pode dizer pra elas: “olha, vocês têm que entrar no labirinto, vocês têm que se permitir se perder”. Senão isso não significa nada pras pessoas. Só vai começar a ter significado quando elas possam vivenciar alguma coisa, concreta, que elas possam realmente sentir o que é isso, como a gente sentiu um pouco aqui. Quer dizer, a gente teve um momento, de onde a gente pode se permitir entrar no labirinto, ninguém colocou pra gente como é que a gente devia começar a conversa, qual deveria ser a direção. Eles não entraram com as definições deles, de imediato, sobre o que já tinham pensado sobre labirinto, né. Claro que houve uma sugestão aí, quando a gente viu toda aquela parafernália aí. Mas assim, na verdade, a gente não tem uma definição deles e, eu espero que eles não dêem também. E eu acho que é isso mesmo , né. Propiciar esses instrumentos pra gente poder brincar e viajar, né.

 

Sandra Gadelha – eu estava ali lembrando da primeira apresentação do grupo dos meninos, que foi quando os dois primeiros entraram na seleção e a gente entrou junto. Então ficou assim uma surpresa quando você colocaram o projeto e durante um tempo a gente ficou falando do projeto. Projeto do grupo, projeto de quem? Do labirinto, do grupo e hoje eu percebi, realmente eu senti que o labirinto não é mais só do grupo, não é? A partir das falas de algumas pessoas, eu também me senti assim, inserido dentro desse labirinto e não me senti sozinha nessa (interção?), não só pelo grupo que já estava caminhando, mas porque eu senti outras pessoas caminhando juntas... nessa empreitada que, eu espero que vá dar muitos bons frutos.

 

Fabiano – Bom, quando a gente estava escolhendo as imagens, - foram mais de cinquenta, perto de cem – e a gente teve que selecionar por causa do espaço e até pela concepção da montagem, que dentre essas imagens vai ter uma que a gente vai comer, - já tá aí Déa?-  que eu não vou dizer o que é. Mas só para uma última palavrinha...

 

VIRANDO A FITA – LADO B

 

Fabiano – essa história que você (Alexandre?) falou do olhar do viajante e do olhar do arquiteto; o olhar panorâmico e o olhar daquele que o percorre. Então, pra mim a palavra no caso seria essa, pelo menos hoje, nesse momento na minha cabeça. O labirinto não é um método pedagógico ou qualquer outro método científico. É uma experiência...

 

Eduardo – só uma informção técnica. É o seguinte, a... esqueci o nome dela, disse que tava curiosa pra ver o que é que vai sair. A tese não vai estar pronta no final daqui a 4 anos, ela estar sendo pronta, já. Então, quem tiver algum acesso a internet pode acompanhar no site patio.com.br/labirinto e quem não tiver um acesso fácil a internet é só chegar até a um de nós e perguntar: “E aí, qual foi a última coisa que você escreveu?” Que essa coisa com certeza vai tá lá no final. Quer saber a quantas anda? A gente mostra. Porque não é no fim, não. É no percurso. E a idéia é que textos, - mesmo de outras pessoas - que tenham a ver com o trabalho, eventualmente serão incorporados na nossa própria tese. Então, se você sestão escrevendo alguma coisa e, vê que tem a cara, vamos lá também compor a tese com a gente. Então todo o percurso vai sendo feito, sempre... (?) fazer outras atividades dessas, pra que a coisa seja sempre mostrada, a cada momento, e não só no final. Mais uma vez obrigado ao Alexandre Veras e venham visitar o Alpendre sempre. Bom, vamos comer umas coisinhas ali. Não são sete moças e sete rapazes, mas dá para quebrar o galho.

 

http://www.patio.com.br/labirinto